sábado, 17 de abril de 2010

Há dias «de fazer chorar as pedrinhas da calçada»


(Chiado)

6 comentários:

Ninguém.pt disse...

Quer contar ou vai guardar tudo nas gavetinhas?

De fazer chorar as ditas cujas é este poema:

O menino da sua mãe

No plaino abandonado
Que a morna brisa aquece,
De balas trespassado
- Duas, de lado a lado-,
Jaz morto, e arrefece

Raia-lhe a farda o sangue
De braços estendidos,
Alvo, louro, exangue,
Fita com olhar langue
E cego os céus perdidos

Tão jovem! Que jovem era!
(agora que idade tem?)
Filho único, a mãe lhe dera
Um nome e o mantivera:
«O menino de sua mãe».

Caiu-lhe da algibeira
A cigarreira breve
Dera-lhe a mão. Está inteira
É boa a cigarreira.
Ele é que já não serve.

De outra algibeira, alada
Ponta a roçar o solo,
A brancura embainhada
De um lenço... deu-lho a criada
Velha que o trouxe ao colo.

Lá longe, em casa, há a prece:
"Que volte cedo, e bem!"
(Malhas que o Império tece)
Jaz morto, e apodrece,
O menino de sua mãe.


Fernando Pessoa

Escrivaninha disse...

A interpretação cantada mais bonita desse poema que conheço é de Carlos Mendes. Não a consigo encontrar na net, mas é mesmo de "fazer chorar as escrivaninhas da calçada."

Escrivaninha disse...

Está no álbum "Não me peças mais canções"

Ninguém.pt disse...

’Tá bem, fecha a gaveta, abre-se para o mundo...

Não recordo nenhuma versão de Carlos Mendes, lembro apenas esta velhíssima balada de Luís Cília – do tempo das baladas...

http://www.youtube.com/watch?v=QYmWJRCtxz8

Escrivaninha disse...

Xi...Foi há «bué de time»...:-)

josé luís disse...

o que é isso de fazer chorar as pedrinhas da calçada?
ai que a escrivaninha ainda fica com as gavetas empenadas com tanta lágrima...

(bela foto, por sinal ;))