segunda-feira, 26 de julho de 2010

Perdas & Ganhos: A Contabilidade da Vida

"Quando você me deixou, meu bem
Me disse pra ser feliz e passar bem
Quis morrer de ciúme, quase enlouqueci,
Mas depois, como era de costume, obedeci" (Maria Bethânia)

O dia vai começando tristonho, por aqui, esperando que a tristeza escorra como o suor que se vai escapando do corpo em resposta ao calor escaldante.


É Verão!


O Verão também é um separador de tempos, associado que está às férias, às pausas, a ritmos mais frenéticos e nocturnos. A tarefas diferentes do resto do ano.


Está também associado a uma certa nostalgia - que eu creio muito minha e muito portuguesa - que promete punições por momentos bem vividos. «Goza agora o Verão goza, que quando ele acabar logo amargas!...» Este fatalismo tão próximo do fado, da vida, que garante que «tristeza não tem fim, felicidade sim».


Por detrás da ameaça está também a segurança: Vai voltar tudo ao mesmo. Não tenho de me adaptar, não preciso inquietar-me, posso funcionar em piloto-automático...


Por isso quando algo se perde, brusca ou lentamente, fica sempre um vazio. O vazio de procurar algo a que nos habituámos e que não vai voltar a estar lá. Partiu...e nem sequer prometeu voltar como as andorinhas quando chega o frio.


Partiu. Foi bom, enquanto durou. E porque não durou mais? Será que temos medo que a magia se quebre «saying something stupid» e preferimos então não dizer e imaginar para sempre um final feliz que não tivemos a coragem de tentar?


Todos somos um bocado assim, eu acho. Para quem acredita em finais felizes, eles nunca existem no concreto. Para quem busca a felicidade, ela, porque perfeita, só existe no plano da irrealidade, da utopia, de algo que nos atrai, mais pelo seu carácter impossível, talvez mesmo por sabermos que essa atracção nunca vai ser concretizada.


A Felicidade: se a encontrarmos como vamos viver de a buscar? Pararemos de viver se a encontrarmos? Deixamos de ter objectivos? Ou teremos de passar a outra coisa qualquer, que rejeitamos por não conhecer?...


Eu duvido que ela exista. É mesmo como um conto de fadas para nos fazer sonhar e viver nesses sonhos, pelos quais «o mundo pula e avança».


Perdas, todos temos. Gostamos até de as inventariar. Ganhos, poucos reconhecemos, com medo do castigo da moral judaico-cristã, ou daquela dor filha da puta que quase deu cabo de nós da outra vez.


Porque é tão difícil viver plenamente? Porque não dizemos mais vezes 'Sim' e 'Não' claramente, em vez de nos refugiarmos em 'mas' e 'tavez(ezes)' de mais?


Seja, então!...

Sem comentários: