Esta frase foi destacada numa notícia do JN citando uns reformados de Braga na Festa do Avante.
Pois não. Quando temos ideais eles nunca se reformam: são eles que nos enformam - a nossa maneira de ver o mundo, de nos comportarmos, as posições que tomamos, por vezes nem nos permitem agir de outra forma, pois moldam muito das nossas visões e dos nossos comportamentos.
Depois de uma discussão que vou tendo frequentemente - «Se é legítimo queixarmo-nos do trabalho numa época em que há muito desemprego ou se essa dúvida não estará a acelerar a nossa perda de direitos» - leio o artigo do JN (via Facebook de um amigo) e penso no meu padrasto. Abandonou a militância no partido comunista e nunca nos disse porquê, mas frisou sempre que nunca deixaria (nem podia) de ser comunista.
Fazem-os falta mais pessoas que não se reformem dos ideais!
Será que as palavras ficam presas no tempo? Terão as palavras alguma coisa a ver com a moda, efémera e volátil? Evocações do passado também poderão ser palavras que, outrora, marcaram tanto o nosso quotidiano como o som do chiar do baloiço, o pregão da “língua da sogra” na praia ou o cheiro do cozido à portuguesa ao domingo?... Procurar e (re)contextualizar palavras, embalarmo-nos nelas, divagar sobre elas, são alguns dos objectivos deste projecto. Por puro prazer!
quarta-feira, 12 de setembro de 2012
"Dos Ideais a Gente não se reforma"
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2 comentários:
«Não me refiro à conducta mas a ideais. Uma sociedade nunca pode ser grande nem pura sem ideais, porque na moral que nasce (…), na moral para uso quotidiano e de quotidiana origem, caberá uma certa decência, uma honestidade (…), razoáveis instintos humanitários, mas não uma nobreza de qualquer espécie, não uma grandeza de carácter. E o ponto importante é este. O ideal é a vida; vamos perdendo o ideal, e a nossa vitalidade vai diminuindo tristemente (…)»
Fernando Pessoa
Beijito, Miss.
Noto um certo desalento?...
Beijito, Mestre.
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