Cheguei a casa ao fim da tarde, depois da primeira reunião.
Correu bem? Acho que sim...Sobretudo notei que tinha falado menos, colocado menos questões, procurado ser menos incómoda, numa tentativa de sobreviver melhor a este ano, de evitar um desgaste que costuma começar logo nos primeiros dias.
Cheguei calma? Cheguei...mas parece que estava assim...como que anestesiada, dentro de um torpor.
Tomei banho, dei comida à gata e sentei-me aqui para resolver umas questões.
Essas questões ainda estão por resolver - e já chega o cabo do dia, e ainda não jantei - porque, de repente, senti necessidade de me procurar no meu blogue. Talvez tenha sido para isso que o tenho escrito, não sei. Já ri e já chorei. Terei de fazer noitada para resolver as tais questões. Mas já me encontrei!
(Obrigada a quem reencontrei também neste caminho).
Será que as palavras ficam presas no tempo? Terão as palavras alguma coisa a ver com a moda, efémera e volátil? Evocações do passado também poderão ser palavras que, outrora, marcaram tanto o nosso quotidiano como o som do chiar do baloiço, o pregão da “língua da sogra” na praia ou o cheiro do cozido à portuguesa ao domingo?... Procurar e (re)contextualizar palavras, embalarmo-nos nelas, divagar sobre elas, são alguns dos objectivos deste projecto. Por puro prazer!
terça-feira, 4 de setembro de 2012
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2 comentários:
DESPERTO SEMPRE ANTES QUE RAIE O DIA
Desperto sempre antes que raie o dia
E escrevo com o sono que perdi.
Depois, neste torpor em que a alma é fria
Aguardo a aurora, que já tantas vi.
Fito-a sem atenção, cinzento verde
Que se azula de galos a cantar.
Que mau é não dormir? A gente perde
O que a morte nos dá pra começar.
Oh Primavera quietada, aurora,
Ensina ao meu torpor, em que a alma é fria,
O que é que na alma lívida e colora
Com o que vai acontecer no dia.
Fernando Pessoa
Beijito, Miss.
Bons desenterros.
Boa noite, Mestre.
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