Estava eu a ler, num blogue, um texto interessante e divertido sobre a facilidade com que hoje se podem resolver mal entendidos e desencontros, com o simples uso do telemóvel (celular, escrevia o autor, que é brasileiro); dissertava ele sobre a incompreensão de que irão ser alvo os grandes dramas de outros tempos como Romeu e Julieta, Penélope e Ulisses e (não sisse ele, mas digo eu) o Frei Luis de Sousa. Tudo reduzido a atrapalhações de uma medievalidade pré-tecnológica....
De repente, sustive o sorriso: não, o cupido ou qualquer outro ser mitológico, com um sentido de humor frequentemente difícil de perceber a quente, arranjará sempre forma de criar desencontros mesmo à revelia de todo o desenvolvimento tecnológico.
Por muito desenvolvimento que tenhamos, não creio que nenhuma tecnologia consiga decifrar o genoma do amor, abrindo a porta para a cura do «mal d'amore».
QUADRILHA
João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história.
Carlos Drummond de Andrade
Será que as palavras ficam presas no tempo? Terão as palavras alguma coisa a ver com a moda, efémera e volátil? Evocações do passado também poderão ser palavras que, outrora, marcaram tanto o nosso quotidiano como o som do chiar do baloiço, o pregão da “língua da sogra” na praia ou o cheiro do cozido à portuguesa ao domingo?... Procurar e (re)contextualizar palavras, embalarmo-nos nelas, divagar sobre elas, são alguns dos objectivos deste projecto. Por puro prazer!
domingo, 10 de abril de 2011
Intemporal e Irresolúvel
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