Tenho andado aqui pelo apartamento de costas para onde caminho: entro no quarto de costas, recolho o tabuleiro, entrando na cozinha de costas...Acredito que talvez - se eu puder enganar o tempo - assim consiga recuar no tempo e prolongar o feriado mais um bocadinho, adiar o regresso à escola...
Estive a preparar as aulas e confesso que estou cheia de entusiasmo para abordar os novos temas deste breve 3º período. Estou até feliz por comunicar aos meus alunos que as nossas classificações dos Testes Intermédios ficaram acima das médias nacionais. Mas...ter de enfrentar amanhã a sala de professores é que me está a matar!
É que não há safa possível. A minha obrigação como professora é entrar na sala com o livro de ponto. E onde é que tenho de o ir buscar? À sala de professores!
Eu sei, eu sei, que existem (muitas) escolas onde os sumários já são informatizados, mas nós vivemos uma discussão entre essa facção da sociedade e os que advogam que os epigrafemos em pedras, que poderiam depois ser arquivadas em prateleiras da Flintstonelândia...
Também convém assomar à sala para me inteirar rapidamente das reuniões marcadas. Ugh! Que tormento! Dói-me tudo só de pensar.
Mas lá terá de ser. E «cara alegre, que é serviço!»
Será que as palavras ficam presas no tempo? Terão as palavras alguma coisa a ver com a moda, efémera e volátil? Evocações do passado também poderão ser palavras que, outrora, marcaram tanto o nosso quotidiano como o som do chiar do baloiço, o pregão da “língua da sogra” na praia ou o cheiro do cozido à portuguesa ao domingo?... Procurar e (re)contextualizar palavras, embalarmo-nos nelas, divagar sobre elas, são alguns dos objectivos deste projecto. Por puro prazer!
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