Ao ler estas palavras no volume IV do Livro das Mil e Uma Noites achei peculiar que, nesta história, é um presente com as mais belas frutas que agrada à princesa e a remete para a necessidade e privilégio de admirar a Natureza. Ou talvez tenha sido só eu que li assim, neste dia do Ambiente.
Aqui fica:
"Entretanto a princesa, que desde a cessação da correspondência (...) vivia na tranquilidade habitual. Um dia, porém, recebeu um cesto de fruta que o pai lhe enviara, e teve a satisfação de encontrar nele os mais lindos frutos. A surpresa lembrou-lhe que chegara a época, sempre almejada, em que o pomar se revestia das suas melhores galas e durante a qual descia ao jardim para contemplar o deslumbrante espectáculo - favor augusto da Natureza." (p. 33)
Será que as palavras ficam presas no tempo? Terão as palavras alguma coisa a ver com a moda, efémera e volátil? Evocações do passado também poderão ser palavras que, outrora, marcaram tanto o nosso quotidiano como o som do chiar do baloiço, o pregão da “língua da sogra” na praia ou o cheiro do cozido à portuguesa ao domingo?... Procurar e (re)contextualizar palavras, embalarmo-nos nelas, divagar sobre elas, são alguns dos objectivos deste projecto. Por puro prazer!
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