Porque é tão difícil um escritor classificar-se como tal?
Há tempos fui ouvir Jeffrey Archer na Feira do Livro que preferiu classificar-se como "um contador de histórias", reservando o título de escritor para vultos como Doistoievsky ou Joyce. Agora é um texto de Rodrigo Guedes de Carvalho (um excelente prefácio de um dos pequenos volumes das Mil e Uma Noites) que se dirige "aos colegas escrevinhadores".
Porque é tão difícil um escritor assumir-se como tal?
Porque temos deles uma imagem tão elevada que não ousaremos igualar-nos. Creio que na mente de muitos escritores há uma barreira psicológica (modéstia falsa ou verdadeira) que os impede de assumir tal título, desejando (secretamente, mesmo lá no fundo de si) que, após a sua morte, a história os imortalize como tal. Ser Escritor será assim um caminho, uma progressão, um percurso para chegar ao epíteto: Escritor! A meta almejada.
Será que as palavras ficam presas no tempo? Terão as palavras alguma coisa a ver com a moda, efémera e volátil? Evocações do passado também poderão ser palavras que, outrora, marcaram tanto o nosso quotidiano como o som do chiar do baloiço, o pregão da “língua da sogra” na praia ou o cheiro do cozido à portuguesa ao domingo?... Procurar e (re)contextualizar palavras, embalarmo-nos nelas, divagar sobre elas, são alguns dos objectivos deste projecto. Por puro prazer!
Sem comentários:
Enviar um comentário