"O meu coração ateu quase acreditou
Na sua mão que não passou de um leve adeus
Breve pássaro pousado em minha mão
Bateu asas e voou
Meu coração por certo tempo passeou
Na madrugada procurando um jardim
Flor amarela, flor de uma longa espera
Logo meu coração ateu
Se falo em mim e não em ti
É que nesse momento
Já me despedi
Meu coração ateu
Não chora e não lembra
Parte e vai-se embora"
Coração Ateu, Sueli Costa/ Maria Bethânea
Será que as palavras ficam presas no tempo? Terão as palavras alguma coisa a ver com a moda, efémera e volátil? Evocações do passado também poderão ser palavras que, outrora, marcaram tanto o nosso quotidiano como o som do chiar do baloiço, o pregão da “língua da sogra” na praia ou o cheiro do cozido à portuguesa ao domingo?... Procurar e (re)contextualizar palavras, embalarmo-nos nelas, divagar sobre elas, são alguns dos objectivos deste projecto. Por puro prazer!
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2 comentários:
A paixão é capaz de nos fazer acreditar que o sol é azul e o céu vermelho-fogo, que há um deus e nenhum diabo, que...
Mas o amor, sereno como as águas de um lago, necessitando embora de um ligeiro lume que o alimente, é terreno onde o coração e a razão convivem e são sustento um do outro.
Então, «nem choros, nem medos, nem uivos, nem gritos»...
Romantismo
Quem tivesse um amor, nesta noite de lua,
para pensar um belo pensamento
e pousá-lo no vento!
Quem tivesse um amor - longe, certo e impossível -
para se ver chorando, e gostar de chorar,
e adormecer de lágrimas e luar!
Quem tivesse um amor, e, entre o mar e as estrelas,
partisse por nuvens, dormente e acordado,
levitando apenas, pelo amor levado...
Quem tivesse um amor, sem dúvida e sem mácula,
sem antes nem depois: verdade e alegoria...
Ah! quem tivesse... (Mas, quem teve? quem teria?)
Cecília Meireles
"Se houver
um Anjo da Guarda
que me abrace
e se guarde dentro de mim,
É tão só estar só no fim"
Anjo da Guarda, Pedro Abrunhosa
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