terça-feira, 13 de abril de 2010

Faz hoje 14 anos que a minha avó morreu.
O meu terraço, que ela nunca viu, está molhado das lágrimas da chuva, que começou a cair agora, persistente, justificando o tempo cinzento que marcou o dia todo.

4 comentários:

  1. O poeta terá razão? Acho que sim, acho que tendemos a conformar-nos com os desgostos (o tempo, esse unguento que tudo sara!) e acabamos chorando apenas por nós...


    Meus olhos que por alguém


    Meus olhos que por alguém
    deram lágrimas sem fim
    já não choram por ninguém
    - basta que chorem por mim.
    Arrependidos e olhando
    a vida como ela é,
    meus olhos vão conquistando
    mais fadiga e menos fé.
    Sempre cheios de amargura!
    Mas se as coisas são assim,
    chorar alguém - que loucura!
    - Basta que eu chore por mim.


    António Botto

    (Ah, parabéns pelo aniversário, atrasados mas de boa vontade...)

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  2. Acha mesmo que o tempo cura? Não creio...apenas calca, põe outras coisas por cima, faz-nos parecer esquecidos, mas, quando a vida dá uns sacões, afinal, percebemos que está aqui tudo guardado e que as feridas reabertas parece que ainda doem mais.
    Mas, chega de conversa triste.
    Obrigada pelos parabéns, mas nesse dia também esteve por aqui, só não sabia que era o dia. :-)

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  3. Considere o poema como presente... atrasado.

    Dia de anos

    Com que então caiu na asneira
    De fazer na quinta-feira
    Vinte e seis anos! Que tolo!
    Ainda se os desfizesse…
    Mas fazê-los não parece
    De quem tem muito miolo!

    Não sei quem foi que me disse
    Que fez a mesma tolice
    Aqui o ano passado…
    Agora o que vem, aposto,
    Como lhe tomou o gosto,
    Que faz o mesmo? Coitado!

    Não faça tal; porque os anos
    Que nos trazem? Desenganos
    Que fazem a gente velho:
    Faça outra coisa; que em suma
    Não fazer coisa nenhuma,
    Também lhe não aconselho.

    Mas anos, não caia nessa!
    Olhe que a gente começa
    Às vezes por brincadeira,
    Mas depois se se habitua,
    Já não tem vontade sua,
    E fá-los, queira ou não queira!


    João de Deus

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  4. E é bem verdade o que o poeta diz: mania de fazer anos! Já nem sei quando começou...mas, agora, espero que dure por muitos anos.
    Obrigada.

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