quarta-feira, 14 de abril de 2010

Embrenhada no trabalho

Compreendo agora como uma má opção ter decidido transcrever hoje uma descrição de uma recepção e banquete no Mosteiro e Alcobaça, no século XVIII.
Só agora me recordei que não tinha jantado. Compreendo agora (dolorosamente) que o devia ter feito.

4 comentários:

  1. Cheia também d’«esta certeza que nem sei de onde […] vem»?
    Ou apenas distraída?


    Dez réis de esperança


    Se não fosse esta certeza
    que nem sei de onde me vem,
    não comia, nem bebia,
    nem falava com ninguém.
    Acocorava-me a um canto,
    no mais escuro que houvesse,
    punha os joelhos à boca
    e viesse o que viesse.
    Não fossem os olhos grandes
    do ingénuo adolescente,
    a chuva das penas brancas
    a cair impertinente,
    aquele incógnito rosto,
    pintado em tons de aguarela,
    que sonha no frio encosto
    da vidraça da janela,
    não fosse a imensa piedade
    dos homens que não cresceram,
    que ouviram, viram, ouviram,
    viram, e não perceberam,
    essas máscaras selectas,
    antologia do espanto,
    flores sem caule flutuando
    no pranto do desencanto,
    se não fosse a fome e a sede
    dessa humanidade exangue,
    roía as unhas e os dedos
    até os fazer em sangue.


    António Gedeão

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  2. Absorta.
    Certezas...cada vez tenho menos...

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  3. Ter certeza é não estar vendo


    Primeiro prenúncio de trovoada de depois de amanhã.
    As primeiras nuvens, brancas, pairam baixas no céu mortiço,
    Da trovoada de depois de amanhã?
    Tenho a certeza, mas a certeza é mentira.
    Ter certeza é não estar vendo.
    Depois de amanhã não há.
    O que há é isto:
    Um céu de azul, um pouco baço, umas nuvens brancas no horizonte,
    Com um retoque de sujo embaixo como se viesse negro depois.
    Isto é o que hoje é,
    E, como hoje por enquanto é tudo, isto é tudo.
    Quem sabe se eu estarei morto depois de amanhã?
    Se eu estiver morto depois de amanhã, a trovoada de depois de amanhã
    Será outra trovoada do que seria se eu não tivesse morrido.
    Bem sei que a trovoada não cai da minha vista,
    Mas se eu não estiver no mundo.
    O mundo será diferente —
    Haverá eu a menos —
    E a trovoada cairá num mundo diferente e não será a mesma trovoada.


    Alberto Caeiro

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  4. Se eu não estiver no mundo, o mundo ficará diferente, porque o mundo deixará de ser meu: o meu mundo!

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