A expressão que titula este post era usada pela minha avó quando via pessoas atrapalhadas com situações simples. Tornou-se um hábito e já todos a usávamos, mas um dia resolvi perguntar-lhe a razão da expressão e ela então contou-me:
O meu avô (um dos homens que partiu cedo, teria eu uns 7-8 anos) era caçador e tentava cativar para a actividade um amigo (creio, até, que compadre) que não se entusiasmava com o «desporto».
Mas um dia, aliciado certamente pelo passeio e pela «comezaina» que se seguiria, lá acompanhou o amigo.
Iam à caça ao coelho.
Quando estavam no campo, o meu avô teve uma aflição e pediu ao outro: "Segura aí na espingarda, que eu já volto."
O outro, atrapalhadíssimo, segurando na arma com uma evidente falta de jeito e receio, interpelou o meu avô, quando ele quase tinha alcançado o lugar para se aliviar: "Olha lá! Se vier o coelho, o que é que eu lhe digo?"
E assim era a história, que gerou uma frase que ficou na família, e que sempre arrancava à minha avó um riso genuíno.
Será que as palavras ficam presas no tempo? Terão as palavras alguma coisa a ver com a moda, efémera e volátil? Evocações do passado também poderão ser palavras que, outrora, marcaram tanto o nosso quotidiano como o som do chiar do baloiço, o pregão da “língua da sogra” na praia ou o cheiro do cozido à portuguesa ao domingo?... Procurar e (re)contextualizar palavras, embalarmo-nos nelas, divagar sobre elas, são alguns dos objectivos deste projecto. Por puro prazer!
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
Sem comentários:
Enviar um comentário