A República Portuguesa compõe os seios desnudados e retira o barrete frígio. Está cansada de agitar a bandeira e de sorrir para o povo que tutela há quase um século!...
Senta-se um pouco no sofá a ver o serviço noticioso de um canal não estatal. Quer ver como a homenageiam; considera que merece saber o que dizem do serviço que tem prestado ao longo do tempo.
Primeiro não entende muito bem a brincadeira entre o Presidente da República e o Primeiro-Ministro que, ao que parece, encetaram uma disputa de popularidade.
C.S. - Vês? Tenho casa cheia. O Povo gosta mais de mim! Onde é que se está bem? É em Belém!
J.S. - República boa é na Câmara de Lisboa! Posso ter menos gente, menos bandas, menos palmas e menos beijinhos, mas eu é que estou com o espírito da República.
Ouve com atenção os inquéritos de rua. Afinal foi sempre para as pessoas que ela existiu:
"- Se gostava de viver aqui no Palácio de Belém? Então é que eu era uma rainha!"
Boquiaberta, a República Portuguesa estava ainda a recuperar-se desta confusão entre regimes políticos, quando passa a reportagem dos monárquicos que davam vivas ao Presidente da República.
Atónita, exausta, já nem se apercebeu da senhora que interpretava a simbologia dos castelos presentes na bandeira nacional como respeitante "aos nossos governantes anarquistas"...
Por essas alturas já estava no site do e-Bay a saber se era possível trocar a bandeira por um taco de baseball, para zurzir o povo: 99 anos e eles ainda não perceberam nada! Francamente!
Será que as palavras ficam presas no tempo? Terão as palavras alguma coisa a ver com a moda, efémera e volátil? Evocações do passado também poderão ser palavras que, outrora, marcaram tanto o nosso quotidiano como o som do chiar do baloiço, o pregão da “língua da sogra” na praia ou o cheiro do cozido à portuguesa ao domingo?... Procurar e (re)contextualizar palavras, embalarmo-nos nelas, divagar sobre elas, são alguns dos objectivos deste projecto. Por puro prazer!
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