sábado, 31 de julho de 2010

Nunca tinha visto ninguém tocar piano assim!

Era uma fraca figura, pequeno e sorridente, correspondente aos nossos estereotipos de orientais. O traje a rigor condizia com o cenário, de tirar a respiração: o Claustro do Silêncio, do Mosteiro de Alcobaça, numa noite de Verão - quase o sonho do Shakespear...

Aproximou-se do piano e desfilou nas teclas: Ravel, Schumann, Chopin, Tchaikovski, Liszt...

Tocava com uma força e uma serenidade incríveis. E o que me impressionava era exactamente essa combinação de força e serenidade. Parava naturalmente, deixando as notas suspensas nos castiçais das árvores...Quase não respirávamos...Poucas coisas me maravilharam assim...

Jue Wang, toca em público desde os 10 anos. Actualmente, deixou Xangai para estudar na Manhanttan School of Arts.

Foi nosso privilégio ouvi-lo ontem, numa mágica noite de Verão, envolvidos em Património Mundial, encimados pelo céu quadrado das orações dos frades de antanho.

Para quem quiser saber mais: www.cistemusica.com

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Porque é que se velam mortos ilustres no Palácio Galveias (antigo Palácio dos Távoras e Biblioteca Pública em que Saramago descobriu a Literatura)?

Quinze anos depois

da polémica que encerrou a barragem, abre hoje o Museu de Foz Côa!!!!!

Comoção

Hoje fui cedo tomar o pequeno almoço no café. Este café já é nosso. Somos uma espécie de comunidade que frequenta o café, unidos pela simpatia da família que o explora.
Como sempre, procurei o Diário de Notícias que está à disposição dos clientes. Vi a cara de António Feio na capa. Não consegui sequer abrir o jornal. Perguntei para trás do balcão - Morreu o António Feio? - como se tivesse esperança que do lado de lá do balcão ele ainda continuasse vivo. A senhora acenou-me que sim, com os olhos a brilhar de água. A cliente que estava noutra mesa disse: Deve ter sido tarde, porque só ouvi a notícia no telejornal da uma da manhã.
Afastei o jornal para a outra mesa e engoli o pequeno almoço empurrando as lágrimas.
Engraçado como há pessoas que nos marcam! António Feio foi um marco, como actor, como homem e como cidadão empenhado, como já aqui se conversou noutras alturas.
Que comoções terá desencadeado, por aí, em sítios simples como o nosso café, em pessoas comuns como nós, o inventor de tantas personagens e piadas do nosso contentamento?...
Uma salva de palmas pela tua vida, António!

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Quando queremos ser escritores, a leitura de um bom livro assemelha-se a um acto de espionagem!

A Dedicatória de Um Livro

Tenho uma amiga que diz que a primeira coisa que vê num livro - sobretudo resultado de uma produção científica académica - é a dedicatória e os agradecimentos. Diz ela que, se o autor souber resolver estas coisas complicadas com elegância e sabedoria, tem ganha metade da sua admiração; o resto fica para o trabalho propriamente dito.

É bem verdade que a dedicatória de um livro nos dá uma «imagem emocional» da obra. Que pode ser ou não positiva. Eu fiquei muito chocada quando soube que o Saramago (que nem sequer sabemos se podemos dizer «Que Deus tem») mandou eliminar as dedicatórias dos seus primeiros livros em edições posteriores, pois entretanto tinha mudado de companheira e de amores...Eu, que idolatrava uma dedicatória dele: «A Pilar que tanto tardou a chegar» (ou qualquer coisa assim parecida).

Bem, isto tudo porque, estando eu encalorada e entediada, dedicada a tarefas formais relacionadas com o meu trabalho, gostei muito da dedicatória do livro de metodologia que aqui está aberto sobre a mesa.

«Ao Joãozinho, que chegou depois, mas se tornou o princípio de tudo»

Creio que transborda ternura de um pai para um filho. É o que eu imagino. E como, minutos antes, tinha estado a falar com uma recente mamã sobre o fascínio de acompanhar o crescimento de uma criança, cá arranjei ensejo para escrever isto, adiando mais um pouco a construção de tabelas e índices.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Palavras Proscritas

O tempo vai prescrevendo e proscrevendo certas palavras, começando então a reescrevê-las, num sentido mais apropriado aos novos tempos e grafias.

Não sei se actualmente a palavra proscrito se utiliza em algum contexto. Para mim ela era mesmo o sobrenome do Robin dos Bosques.

Mas aqui fica a tradução que encontrei no dicionário, sem saber se actualmente em terras de expressão inglesa, ainda terá algum significado que não esteja associado a evocações históricas: «exile», «outlaw». Proscrição tem a tradução de «prospription», «exile», «banishment».