segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Entretenimento ou talvez não...só

 Noto que, frequentemente, quando estou muito cansada ou terminei um projecto e preciso de respirar antes de outro, tenho aquilo que eu chamo "overdoses de entretenimento". Fico um dia inteiro a ver telenovelas ou séries na televisão ou agarro-me a um livro e faço do meu projecto imediato termina-lo.

Andava preocupada porque, nos últimos tempos era mais a televisão e as redes sociais a ocupar esse espaço que a literatura. Até este fim de semana!

Agarrei-me a um livro de puro entretenimento que tinha ido buscar à biblioteca há uns tempos e não descansei enquanto não o acabei, ontem, perto da meia noite.

Devo esclarecer que isto de classificar um livro como "puro entretenimento" parece que o estamos a esvaziar de qualquer reflexão e não foi o caso. Por coincidência, ou não, o livro em causa - Origem, de Dan Brown - , fez-me reflectir bastante sobre algumas das minhas preocupações, nomeadamente os conflitos no mundo, a regressão da democracia e do humanismo e o poder da inteligência artificial.

Cada vez mais acho que o poder reflexivo da literatura tem muito mais a ver com a nossa capacidade de integrar palavras em temas do que com a intenção do autor ou a classificação da obra num sistema de categorização temático.

Assim, e para registar aqui algumas das muitas palavras do autor que me fizeram reflectir, a colheita é a seguinte:

"(...) Edmons confessou-me há algum tempo que o seu sonho, ironicamente, não consistia em destruir a religião...mas em criar uma nova religião, uma crença universal que unisse as pessoas em vez de as dividir. Pensou que, se pudesse convencer as pessoas a reverenciar o universo natural e as leis da física que nos criaram, então cada cultura celebraria a mesma história da criação, em vez de travar guerras sobre qual dos seus mitos ancestrais era mais preciso." (p. 504)

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