Estou a chegar do cinema. Fui ver o último filme de Woody Allen - Midnight Paris - e venho encantada. Procurei algumas palavras para caracterizar o filme e encontrei estas:
"Thierry Frémaux, director do festival [de Cannes], considera o filme de Allen “uma maravilhosa carta de amor a Paris” e acrescenta que este “é um filme em que Woody Allen aprofunda as questões tratadas nos seus filmes anteriores: a nossa relação com a história, a arte, o prazer e a vida.”
retirado do Jornal de Notícias de 2 de Fevereiro de 2011.
Para uma geração ou duas específicas este filme é imperdível!
Será que as palavras ficam presas no tempo? Terão as palavras alguma coisa a ver com a moda, efémera e volátil? Evocações do passado também poderão ser palavras que, outrora, marcaram tanto o nosso quotidiano como o som do chiar do baloiço, o pregão da “língua da sogra” na praia ou o cheiro do cozido à portuguesa ao domingo?... Procurar e (re)contextualizar palavras, embalarmo-nos nelas, divagar sobre elas, são alguns dos objectivos deste projecto. Por puro prazer!
quarta-feira, 5 de outubro de 2011
terça-feira, 4 de outubro de 2011
A nossa Língua
"A língua singular é outra desvantagem para um conhecimento mais íntimo de Portugal. Se viajarem pela Europa, as pessoas não conseguem identificar a língua que estão a falar e muito menos o que estão a dizer. (...)
Por outro lado, esta ignorância irrita. Cerca de 220 milhões de pessoas por todo o mundo falam o português como língua nativa. Se mais pessoas falam português como primeira língua do que francês, alemão, italiano ou japonês, como é que pode ser considerada «menor»? A grande quantidade de falantes do português reside no império desaparecido: o Brasil e as cinco antigas colónias portuguesas em África, mais Timor-Leste, na Ásia. Por outro lado, os portugueses acham esta incompreensão linguística lisongeira. Fá-los sentirem-se especiais. Têm grande respeito por uma famosa frase de Fernando Pessoa: «A língua portuguesa é a minha pátria.» Adoram a forma como os estrangeiros a acham tão difícil de falar bem. Descrevem com ternura a sua língua como «traiçoeira». Tal com outros povos com línguas menos conhecidas, os portugueses desenvolveram um jeito especial para falar outras línguas. Um visitante estrangeiro safa-se bem, em geral, com o inglês, o francês ou o espanhol."
Hatton, Barry, Os Portugueses, p. 28
Por outro lado, esta ignorância irrita. Cerca de 220 milhões de pessoas por todo o mundo falam o português como língua nativa. Se mais pessoas falam português como primeira língua do que francês, alemão, italiano ou japonês, como é que pode ser considerada «menor»? A grande quantidade de falantes do português reside no império desaparecido: o Brasil e as cinco antigas colónias portuguesas em África, mais Timor-Leste, na Ásia. Por outro lado, os portugueses acham esta incompreensão linguística lisongeira. Fá-los sentirem-se especiais. Têm grande respeito por uma famosa frase de Fernando Pessoa: «A língua portuguesa é a minha pátria.» Adoram a forma como os estrangeiros a acham tão difícil de falar bem. Descrevem com ternura a sua língua como «traiçoeira». Tal com outros povos com línguas menos conhecidas, os portugueses desenvolveram um jeito especial para falar outras línguas. Um visitante estrangeiro safa-se bem, em geral, com o inglês, o francês ou o espanhol."
Hatton, Barry, Os Portugueses, p. 28
Etiquetas:
Palavras de Outros,
Palavras Forasteiras
Novo acordo ortopédico
Hoje foi dia de preparar a caracterização da turma de que sou directora.
Processos individuais e os inquéritos que os alunos preencheram no primeiro dia são as fontes principais.
Um dos itens a analisar é o das doenças que as crianças têm.
Entre muitas dores de cabeça e faltas de vista lá estavam elas, as inesperadas, as que utilizam uma grafia nova de um qualquer acordo do foro médico. Tenho assim uma crianças com hasma e outra com imperactividade. E se a primeira se enquadra perfeitamente num problema respiratório, quanto à segunda é imperativo que saibamos como proceder.
Assim vai este país...
Processos individuais e os inquéritos que os alunos preencheram no primeiro dia são as fontes principais.
Um dos itens a analisar é o das doenças que as crianças têm.
Entre muitas dores de cabeça e faltas de vista lá estavam elas, as inesperadas, as que utilizam uma grafia nova de um qualquer acordo do foro médico. Tenho assim uma crianças com hasma e outra com imperactividade. E se a primeira se enquadra perfeitamente num problema respiratório, quanto à segunda é imperativo que saibamos como proceder.
Assim vai este país...
Etiquetas:
Palavras Cativas,
Palavras Doridas,
Palavreado
segunda-feira, 3 de outubro de 2011
Da próxima vez
que me sentir frustrada no meu trabalho, considerando que não foi para muitas das coisas que tenho de fazer que tirei o curso e escolhi a profissão, vou pensar na Bárbara Guimarães, que depois de ter feito «Duetos Imprevistos» com o Maestro Victorino de Almeida está ali a apresentar o programa dos gordos.
Para além de uma despromoção para ela é uma suprema maldade para com os concorrentes obesos!
Para além de uma despromoção para ela é uma suprema maldade para com os concorrentes obesos!
Etiquetas:
Palavras Doridas,
Palavras vãs,
Palavreado
domingo, 2 de outubro de 2011
Será que alguma história acaba verdadeiramente?
" (...)
Alguns anos passaram sobre
a nossa história que não acabou.
A tarde envelhece e escrevo isto
sem saber porquê."
Isabel de Sá (colhido em http://poediapoedia.blogspot.com/)
Alguns anos passaram sobre
a nossa história que não acabou.
A tarde envelhece e escrevo isto
sem saber porquê."
Isabel de Sá (colhido em http://poediapoedia.blogspot.com/)
Etiquetas:
Dúvidas,
Palavras de Outros,
Palavras Doridas
quarta-feira, 28 de setembro de 2011
Alvaiade
Ontem estreei uns ténis brancos. Branquinhos, branquinhos, como eu gosto. Mas logo olhei para eles com tristeza pensando “Não vão manter-se assim por muito tempo. Depois vão ficar «branco-sujo», o que já não tem graça nenhuma e depois terei de comprar outros branquinhos, branquinhos.”
Depois lembrei-me do tempo em que se usava «na minha ginástica» uns sapatinhos brancos – entre os ténis e as sapatilhas das bailarinas – que contrastavam com o maillô preto da Associação Académica da Amadora, com que eu abria orgulhosamente o desfile da «minha classe». Foi há muito tempo. Tinha eu aí uns cinco aninhos e era uma criança engraçadinha e que gostava de dar nas vistas; ficava, pois, bem na abertura.
Tinha então de ter os meus ténis muito branquinhos e a minha avó cuidava bem disso. Quando achava que os ténis estavam a ficar «encardidos» (como ela dizia) punha-os num banho «de leite e alvaiade». E lá recuperavam eles, dignos da menina da abertura do desfile!
Nunca soube o que era alvaiade, mas é sem dúvida uma palavra que faz parte da minha vida, de um pedacinho recôndito desportivo que se iluminou agora.
E lá fui eu à procura para guardar: Alvaiade é então uma palavra que vem do árabe (almentar, meu caro Watson!) e que designa um pigmento branco. Existe “alvaiade de chumbo”, que é um hidroxicarbonato de chumbo, tóxico, branco, usado em pintura a óleo e “alvaiade de zinco”, um óxido de zinco, branco, usado em farmácia e em pintura como substituto do alvaiade de chumbo. Deveria ser este último. Será que ainda existe?
O que é certo é que antigamente as avós, mães e outros seres extraordinários formados em economia doméstica, se aplicavam a reciclar, recuperar e dar nova vida às coisas para evitar comprar novo. Talvez seja desses ensinamentos que estamos a precisar para poupar o planeta e a economia, para sobreviver de forma mais ecológica (ou se calhar só lógica) a esta crise da sociedade de consumo. Mais uma vez é na História – nas soluções que o homem já outrora encontrou para os seus problemas – que devemos procurar os caminhos do futuro. Eles estão lá!
Depois lembrei-me do tempo em que se usava «na minha ginástica» uns sapatinhos brancos – entre os ténis e as sapatilhas das bailarinas – que contrastavam com o maillô preto da Associação Académica da Amadora, com que eu abria orgulhosamente o desfile da «minha classe». Foi há muito tempo. Tinha eu aí uns cinco aninhos e era uma criança engraçadinha e que gostava de dar nas vistas; ficava, pois, bem na abertura.
Tinha então de ter os meus ténis muito branquinhos e a minha avó cuidava bem disso. Quando achava que os ténis estavam a ficar «encardidos» (como ela dizia) punha-os num banho «de leite e alvaiade». E lá recuperavam eles, dignos da menina da abertura do desfile!
Nunca soube o que era alvaiade, mas é sem dúvida uma palavra que faz parte da minha vida, de um pedacinho recôndito desportivo que se iluminou agora.
E lá fui eu à procura para guardar: Alvaiade é então uma palavra que vem do árabe (almentar, meu caro Watson!) e que designa um pigmento branco. Existe “alvaiade de chumbo”, que é um hidroxicarbonato de chumbo, tóxico, branco, usado em pintura a óleo e “alvaiade de zinco”, um óxido de zinco, branco, usado em farmácia e em pintura como substituto do alvaiade de chumbo. Deveria ser este último. Será que ainda existe?
O que é certo é que antigamente as avós, mães e outros seres extraordinários formados em economia doméstica, se aplicavam a reciclar, recuperar e dar nova vida às coisas para evitar comprar novo. Talvez seja desses ensinamentos que estamos a precisar para poupar o planeta e a economia, para sobreviver de forma mais ecológica (ou se calhar só lógica) a esta crise da sociedade de consumo. Mais uma vez é na História – nas soluções que o homem já outrora encontrou para os seus problemas – que devemos procurar os caminhos do futuro. Eles estão lá!
terça-feira, 27 de setembro de 2011
Subscrever:
Mensagens (Atom)