quinta-feira, 5 de maio de 2011

quarta-feira, 4 de maio de 2011

"Benvindos à Casa da Democracia!" disse o deputado, e tenho a certeza que o disse em maiúsculas.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Parlamento dos Jovens 2011

Dias 2 e 3 de Maio de 2011 ficarão como dias de ouro na minha vida de professora.
Um parlamento cheio de jovens excepcionais, de esperança no nosso futuro, de tanto que vale a pena.
Obrigada aos alunos que me permitiram viver tão gratificante experiência.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Nem a poesia lhes escapa...

A pressão dos mercados

"Emprestem-me palavras para o poema; ou dêem-me
sílabas a crédito, para que as ponha a render
no mercado. Mas sobem-me a cotação da metáfora,
para que me limite a imagens simples, as mais
baratas, as que ninguém quer: uma flor? Um perfume
do campo? Aquelas ondas que rebentam, umas
atrás das outras, sem pedir juros a quem as vê?

É que as palavras estão caras. Folheio dicionários
em busca de palavras pequenas, as que custem
menos a pagar, para que não exijam reembolsos
se as meter, ao desbarato, no fim do verso. O
problema é que as rimas me irão custar o dobro,
e por muito que corra os mercados o que me
propõem está acima das minhas posses, sem recobro.

E quando me vierem pedir o que tenho de pagar,
a quantos por cento o terei de dar? Abro a carteira,
esvazio os bolsos, vou às contas, e tudo vazio: símbolos,
a zero; alegorias, esgotadas; metáforas, nem uma.
A quem recorrer? que fundo de emergência poética
me irá salvar? Então, no fim, resta-me uma sílaba – o ar –
ao menos com ela ninguém me impedirá de respirar."

Nuno Júdice

colhido em poedia

domingo, 1 de maio de 2011

Informação (e alguma reflexão e muita satisfação)

Nos dias 2 e 3 de Maio o Canal Parlamento (ARTV) transmite a Sessão Nacional do Parlamento dos Jovens (Ensino Básico) na qual vão participar 2 alunos meus, como deputados e um outro aluno da nossa escola, como jornalista.
Para mim é a primeira experiência com este projecto. Tem sido muito gratificante e um verdadeiro exercício de educação cívica para todos nós.
Por isso me atrevo a recomendar a emissão do canal parlamento nestes dias (as voltas que a vida dá!). Pode ser que lá esteja o futuro da Assembleia da República e era muito bom que fosse melhor que o presente.
A Esperança é afinal a Santa da Devoção dos Professores.
Às vezes parece que toda a minha vida se desenrola entre o «Conta-me como foi» e o «Mostra-me como poderá ser»...

Os filhos das mães (Um avesso dos dias)

Embirro um bocadinho com certos dias comemorativos. Sobretudo aqueles em que se comemora, por decreto, as questões afectivas e em que nos impingem imagens estereotipadas dos papéis socio-afectivos, que eu acho que podem ser até perigosas. Estão neste caso os dias do Pai, da Mãe, dos Namorados, da Criança...
Se no Dia de S. Valentim não me atrevo a escrever estas coisas, pois já sei que vão logo dizer que são opiniões de uma solteirona (ou qualquer coisa pior...) no Dia da Mãe apetece-me veicular o meu lamento e a minha preocupação. É mesmo mais uma preocupação. Não como mãe, mas como filha da mãe e como professora e formadora de alunos/garotos/jovens com situações muito diversas.
Este sentimento de embirração, preocupação e alarme por estes dias já me acompanha há muito tempo, mas foi ontem, enquanto deambulava por um grande centro comercial da capital, que ele ganhou força e vontade para se escrever como post de blogue.
Todas as montras estavam revestidas a elogios e néons a mães maravilhosas, fantásticas, dignas de veneração, frequentemente como «a melhor mãe do mundo». Fico a pensar em toda a gente que por ali passa e lê e vê e pensa e subjectiviza a questão. Como se sentirá se a sua mãe não for a melhor do mundo?...E tantas há que nem são boas, quanto mais as melhores do mundo e arredores!...Como se sentirão os filhos que não podem dizer estas coisas lindas e grandiosas das suas mães? Provavelmente sentir-se-ão desfavorecidos num mundo onde, se todas as mães são assim tão boas, porque lhe calhou a única que não prestava? Que o abandonou, ou que está lá só para o criticar, o enxovalhar, o comparar com tristeza com os filhos de outras mães, essas sim, afortunadas pelo destino que a ela lhe falhou?
Há mães assim! Não sei se são muitas, mas uma que fosse já seria um fardo grande demais para carregar, sobretudo num dia em que todo o mundo lembra - em luzes brilhantes - que Mãe é sinónimo de uma plêiade de qualidades.
Sei que não é politicamente correcto nada do que estou a escrever. Mas sei que este dia é muito pesado para muita gente, para muitas crianças e jovens que não desfrutam da sorte de ter uma mãe daquelas que se cultuam hoje.
E o fardo desses pesa-me sempre quando vejo que todo o mundo gosta de se orquestrar para glorificar os padrões, os ideais que nos vende e que por vezes contrastam (tanto!) com a realidade de muitos, que não precisam que lhes gritem a sua situação de desfavorecidos.
Não me intrepretem mal. Apesar de já não ter mãe ( e o nosso Dia da Mãe era só, como já por aqui disse, a 8 de Dezembro) até assinalei o dia com uma pequena prendinha para a mãe da família dos amigos com quem fui almoçar. Mas, talvez por ser professora, talvez por já ter integrado em tempos uma Comissão de Protecção de Menores, ou talvez só por ser eu, às vezes dá-me para ver o avesso dos dias comemorativos e pensar nas lágrimas de tristeza e na culpa que estes dias provocam nos que são, por diversas razões, desfavorecidos.