Será que as palavras ficam presas no tempo? Terão as palavras alguma coisa a ver com a moda, efémera e volátil? Evocações do passado também poderão ser palavras que, outrora, marcaram tanto o nosso quotidiano como o som do chiar do baloiço, o pregão da “língua da sogra” na praia ou o cheiro do cozido à portuguesa ao domingo?... Procurar e (re)contextualizar palavras, embalarmo-nos nelas, divagar sobre elas, são alguns dos objectivos deste projecto. Por puro prazer!
sábado, 4 de setembro de 2010
Viajante
“Ao refrescar, quando montávamos a cavalo, uma tribo de beduínos, descendo das colinas de Galgalá, trouxe os seus rebanhos de camelos a beber no Jordão; as crias brancas e felpudas corriam, balando; os pastores, de lança alta, soltando gritos de batalha, galopavam num amplo esvoaçar de albornozes; e era como se ressurgisse em todo o vale, no esplendor da tarde, uma pastoral da idade bíblica, quando Agar era moça!
Teso na cela, com as rédeas bem colhidas, eu senti um curto arrepio de heroísmo; ambicionava uma espada, uma lei, um deus por quem combater…” Eça de Queiroz, A Relíquia
De repente dou-me conta que todos os livros que trouxe para me acompanharem nestas férias são livros de viagem: A Lua Pode Esperar, de Gonçalo Cadilhe, A Relíquia, de Eça de Queiroz e O Sentimento de Si, de António Damásio.
Em casa leio A Relíquia, deleitando-me com os pormenores das descrições queirosianas e escandalizando-me com a hipocrisia de Teodorico, ao mesmo tempo que vou descobrindo semelhanças com um país rural, religiosamente servil e bafiento, que ainda conheci «na terra», onde passava os Verões. Nos passeios, pontuados por estadias refrescantes em cafés, leio o Cadilhe, procurando imaginar as paisagens que ele descreve e identificando-me com o seu espírito livre e solitário.
O Damásio está ali; a olhar para mim, perfilado na estante. «É grande demais para ler fora de casa», argumento, mas a verdade é que a viagem interior ao sentimento de mim, que espero descobrir naquele livro, me assusta um pouco. De todas as viagens, as mais assustadoras são as interiores. Mas há momentos em que «navegar é preciso». Talvez também eu descubra – ou encare, por fim - «uma espada, uma lei, um deus por quem combater…»
Teso na cela, com as rédeas bem colhidas, eu senti um curto arrepio de heroísmo; ambicionava uma espada, uma lei, um deus por quem combater…” Eça de Queiroz, A Relíquia
De repente dou-me conta que todos os livros que trouxe para me acompanharem nestas férias são livros de viagem: A Lua Pode Esperar, de Gonçalo Cadilhe, A Relíquia, de Eça de Queiroz e O Sentimento de Si, de António Damásio.
Em casa leio A Relíquia, deleitando-me com os pormenores das descrições queirosianas e escandalizando-me com a hipocrisia de Teodorico, ao mesmo tempo que vou descobrindo semelhanças com um país rural, religiosamente servil e bafiento, que ainda conheci «na terra», onde passava os Verões. Nos passeios, pontuados por estadias refrescantes em cafés, leio o Cadilhe, procurando imaginar as paisagens que ele descreve e identificando-me com o seu espírito livre e solitário.
O Damásio está ali; a olhar para mim, perfilado na estante. «É grande demais para ler fora de casa», argumento, mas a verdade é que a viagem interior ao sentimento de mim, que espero descobrir naquele livro, me assusta um pouco. De todas as viagens, as mais assustadoras são as interiores. Mas há momentos em que «navegar é preciso». Talvez também eu descubra – ou encare, por fim - «uma espada, uma lei, um deus por quem combater…»
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sexta-feira, 3 de setembro de 2010
Retornos e Contornos
Há quatro anos atrás estive neste mesmo local, lendo, pela primeira vez, Gonçalo Cadilhe. Apaixonei-me pelo título Planisfério Pessoal e, na borda da piscina, viajei com ele pelo mundo inteiro.
Volto agora ao mesmo lugar com o livro A Lua Pode Esperar, do mesmo autor, do mesmo homem solitário e errante, cuja vida e reflexões (e vida com tempo para reflectir) me fascinam.
“Para que existe San Julián? O que levou um punhado de seres humanos, há cerca de cem anos, a erguer casas e a traçar ruas nesta baía que não conduz a parte nenhuma? E, no entanto, San Julián agarra, seduz, conforta. Talvez exista para servir a todas essas herdades desmedidas que necessitam de gravitar à volta de uma ideia de cidade. Talvez exista para que homens e mulheres, gaúchos e capatazes, garimpeiros e pastores, percorram durante horas caminhos de pó o meio do nada com a firme intenção de levar os filhos à escola, de tomar um copo com os amigos, de atravessar uma rua asfaltada, de olhar distraídos para a montra de uma loja que vende em simultâneo ferragens, sapatos e apólices de seguros.
(…) Assim se vence a melancolia dos homens pendurados entre o deserto e a maré baixa, e se dá às cidades a sua razão de existir.”
Gonçalo Cadilhe, A Lua Pode Esperar
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
Introspecção
"Cada um traz dentro de si um desejo de tocar o limite do mundo. Um desejo de ser, uma vez na vida, um ponto solitário num espaço infinito. Cada um tem dentro de si uma Patagónia por concretizar. (...)
A vertigem do vazio habita dentro de nós. Pode passar despercebida na vida de todos os dias, no jantar com os amigos, no trânsito engarrafado da hora de ponta, no centro comercial em época natalícia, na praia no Verão. Mas chega o momento em que compreendemos que há gente a mais, ruído a mais, consumo a mais. Faltam tempo e espaço." Gonçalo Cadilhe, A Lua Pode Esperar
A vertigem do vazio habita dentro de nós. Pode passar despercebida na vida de todos os dias, no jantar com os amigos, no trânsito engarrafado da hora de ponta, no centro comercial em época natalícia, na praia no Verão. Mas chega o momento em que compreendemos que há gente a mais, ruído a mais, consumo a mais. Faltam tempo e espaço." Gonçalo Cadilhe, A Lua Pode Esperar
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
Sailing
"I'm the captain of my soul
I'm the captain of my soul
I ain't got no mercy for my bones
I will sail my ocean all alone, it's true
I saw sirens, I saw ghosts
And all the children in my boat
I fight for glory, not for hope
And I need to let out these words from my throat
(So you shout it)
I'm the captain of my soul
I'm the captain of my soul
I ain't got no mercy for my bones
I will sail my ocean all alone, it's true
I saw wailers, I heard songs
Melodies of wisdom for us to sing along
I raised the anchor of my soul
Cause I need to break free
Before I get old
(So we shout out)
Oh captain, Oh my captain
I'm gonna wade in the water
I'll be washed by new tears
They'll save me from my fears
I'm the captain of my soul
I'm the captain of my soul
I ain't got no mercy for my bones
I will sail my ocean all alone, it's true
I'm the captain of my heart
I'm the captain of my life
I'm the captain of my whole
I'm the captain, the captain of my soul"
Rita Redshoes
I'm the captain of my soul
I ain't got no mercy for my bones
I will sail my ocean all alone, it's true
I saw sirens, I saw ghosts
And all the children in my boat
I fight for glory, not for hope
And I need to let out these words from my throat
(So you shout it)
I'm the captain of my soul
I'm the captain of my soul
I ain't got no mercy for my bones
I will sail my ocean all alone, it's true
I saw wailers, I heard songs
Melodies of wisdom for us to sing along
I raised the anchor of my soul
Cause I need to break free
Before I get old
(So we shout out)
Oh captain, Oh my captain
I'm gonna wade in the water
I'll be washed by new tears
They'll save me from my fears
I'm the captain of my soul
I'm the captain of my soul
I ain't got no mercy for my bones
I will sail my ocean all alone, it's true
I'm the captain of my heart
I'm the captain of my life
I'm the captain of my whole
I'm the captain, the captain of my soul"
Rita Redshoes
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