terça-feira, 20 de novembro de 2012

POEMA QUADRAGÉSIMO SEXTO

"Peço-te. Não pises as violetas
que trago no olhar.

Falemos dos brilhos estilhaçados
desta casa súbita que é o teu corpo
devoluto. A noite devora as palavras possíveis,
o sofrimento que pulsa em tua boca
e torna a minha boca vulnerável.
O amor é um nada que a liberta, uma luz
que desce dos ombros para o ventre
e fecunda as sementes da tua virgindade,
essa que faz agora parte de uma dor quase
amigável, na lividez do tempo,
e que entregas em minhas mãos, beijando-as,
tornando-te parte dos meus versos, da
minha forma mais profunda de gostar
de ti.

Amar-te, é escrever-te.
Amar-te é deixar que me toques até ser teu,
até que te deites no meu corpo e adormeças
inteira dentro de mim.

Peço-te. Não pises as violetas
que trago no olhar. Cheiram a ti. São para ti.
Um "bouquet" de palavras que floriram
neste tempo de amor."
 
Joaquim Pessoa
 

1 comentário:


  1. A VIOLETA
    (A uma icógnita... )


    A rosa vermelha
    Semelha
    Beleza de moça vaidosa, indiscreta.
    As rosas são virgens
    Que em doudas vertigens
    Palpitam,
    Se agitam
    E murcham das salas na febre inquieta.

    Mas ai! Quem não sonha num trêmulo anseio
    Prendê-las no seio
    Saudoso o Poeta.

    Camélias fulgentes,
    Nitentes,
    Bem como o alabastro de estátua quieta...
    Primor... sem aroma!

    Partida redoma!
    Tesouro
    Sem ouro!
    Que valem sorrisos em boca indiscreta?

    Perdida! Não sonha num tremulo anseio
    Prender-te no seio
    Saudoso o Poeta

    Bem longe da festa
    Modesta
    Prodígios de aroma guardando discreta
    Existe da sombra,
    Na lânguida alfombra,
    Medrosa,
    Mimosa,
    Dos anjos errantes a flor predileta

    Silêncio! Consintam que em trêmulo anseio
    Prendendo-a no seio
    Suspire o Poeta.

    Ó Filha dos ermos
    Sem termos!
    O casta, suave, serena Violeta
    Tu és entre as flores
    A flor dos amores
    Que em magos
    Afagos
    Acalma os martírios de uma alma inquieta.

    Por isso é que sonha num trêmulo anseio,
    Prender-te no seio
    Saudoso o Poeta!...


    Castro Alves


    Beijito, Miss.

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