quarta-feira, 4 de julho de 2012

Livros

"É que eu sempre usei livro pra tudo...
Pra saber ler,
Pra altear pé de mesa, 
Pra aprender a usar a imaginação,
Pra enfeitar sala, quarto, a casa toda,
Pra ter companhia dia e noite,
Pra aprender a escrever,
Pra sentar em cima,
Pra rir, pra gostar de pensar,
Pra ter apoio num papo,
Pra matar pernilongo,
Pra travesseiro,
Pra chorar de emoção,
Pra firmar prateleiras,
Pra jogar na cabeça do outro na hora da raiva,
Pra me-abraçar-com, pra banquinho pro pé.
Eu sempre usei livro pra tanta coisa,
que a coisa que mais me espanta
é ver gente vivendo sem livro."
Lygia Bojunga, Feito à mão

3 comentários:


  1. ESTE É O PRÓLOGO


    Deixaria neste livro
    toda minha alma.
    Este livro que viu
    as paisagens comigo
    e viveu horas santas.

    Que compaixão dos livros
    que nos enchem as mãos
    de rosas e de estrelas
    e lentamente passam!

    Que tristeza tão funda
    é mirar os retábulos
    de dores e de penas
    que um coração levanta!

    Ver passar os espectros
    de vidas que se apagam,
    ver o homem despido
    em Pégaso sem asas.

    Ver a vida e a morte,
    a síntese do mundo,
    que em espaços profundos
    se miram e se abraçam.

    Um livro de poemas
    é o outono morto:
    os versos são as folhas
    negras em terras brancas,

    e a voz que os lê
    é o sopro do vento
    que lhes mete nos peitos
    — entranháveis distâncias. —

    O poeta é uma árvore
    com frutos de tristeza
    e com folhas murchadas
    de chorar o que ama.

    O poeta é o médium
    da Natureza-mãe
    que explica sua grandeza
    por meio das palavras.

    O poeta compreende
    todo o incompreensível,
    e as coisas que se odeiam,
    ele, amigas as chama.

    Sabe ele que as veredas
    são todas impossíveis
    e por isso de noite
    vai por elas com calma.

    Nos livros seus de versos,
    entre rosas de sangue,
    vão passando as tristonhas
    e eternas caravanas,

    que fizeram ao poeta
    quando chora nas tardes,
    rodeado e cingido
    por seus próprios fantasmas.

    Poesia, amargura,
    mel celeste que mana
    de um favo invisível
    que as almas fabricam.

    Poesia, o impossível
    feito possível. Harpa
    que tem em vez de cordas
    chamas e corações.

    Poesia é a vida
    que cruzamos com ânsia,
    esperando o que leva
    nossa barca sem rumo.

    Livros doces de versos
    são os astros que passam
    pelo silêncio mudo
    para o reino do Nada,
    escrevendo no céu
    as estrofes de prata.

    Oh! que penas tão fundas
    e nunca aliviadas,
    as vozes dolorosas
    que os poetas cantam!

    Deixaria no livro
    neste toda a minha alma...


    Federico García Lorca

    Beijito, Miss.

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  2. Era uma vez…

    … uma peça de mobiliário que andava desaparecida em combate, qual sebastiã em nevoenta manhã.

    Até que um dia, o sol rompeu e todos puderam ver as quatro marcas no chão: duas dos membros anteriores, duas dos membros posteriores. Mas nada se avistava dos membros, eles mesmos, nem sequer a sua natural extensão, o teclado.

    Só que...

    (continua no próximo número do "Barcelito".)

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  3. :-)
    Obrigada pela dedicação.
    Isto está difícil. Por vezes, uma escrivaninha sente que não há gavetas que cheguem para todos os temas e assuntos para que é chamada. Lá vai acorrendo, a uns com alegria e esperança, a outros com o sentido de dever (que é um sentido proibido para dizer 'não') e a outras com dúvidas, panaceias, carinho e receio.
    Assim tem sido ultimamente, num tempo em que parece haver um holofote sobre esta peça de mobília, mobilizada que vai sendo para múltiplas lutas, eventos e serviços. :-(
    Diz a sabedoria popular - que não passa de moda - que depois da tempestade vem a bonança. Aguardemos pois...
    Beijito.

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