segunda-feira, 21 de maio de 2012

Frase

"Quem inventou o trabalho não tinha nenhum bom livro à mão."
Colhida por aí, na net.

2 comentários:


  1. ESTE É O PRÓLOGO


    Deixaria neste livro
    toda minha alma.
    Este livro que viu
    as paisagens comigo
    e viveu horas santas.

    Que compaixão dos livros
    que nos enchem as mãos
    de rosas e de estrelas
    e lentamente passam!

    Que tristeza tão funda
    é mirar os retábulos
    de dores e de penas
    que um coração levanta!

    Ver passar os espectros
    de vidas que se apagam,
    ver o homem despido
    em Pégaso sem asas.

    Ver a vida e a morte,
    a síntese do mundo,
    que em espaços profundos
    se miram e se abraçam.

    Um livro de poemas
    é o outono morto:
    os versos são as folhas
    negras em terras brancas,

    e a voz que os lê
    é o sopro do vento
    que lhes mete nos peitos
    — entranháveis distâncias.

    O poeta é uma árvore
    com frutos de tristeza
    e com folhas murchadas
    de chorar o que ama.

    O poeta é o médium
    da Natureza-mãe
    que explica sua grandeza
    por meio das palavras.

    O poeta compreende
    todo o incompreensível,
    e as coisas que se odeiam,
    ele, amigas as chama.

    Sabe ele que as veredas
    são todas impossíveis
    e por isso de noite
    vai por elas com calma.

    Nos livros seus de versos,
    entre rosas de sangue,
    vão passando as tristonhas
    e eternas caravanas,

    que fizeram ao poeta
    quando chora nas tardes,
    rodeado e cingido
    por seus próprios fantasmas.

    Poesia, amargura,
    mel celeste que mana
    de um favo invisível
    que as almas fabricam.

    Poesia, o impossível
    feito possível. Harpa
    que tem em vez de cordas
    chamas e corações.

    Poesia é a vida
    que cruzamos com ânsia,
    esperando o que leva
    nossa barca sem rumo.

    Livros doces de versos
    são os astros que passam
    pelo silêncio mudo
    para o reino do Nada,
    escrevendo no céu
    as estrofes de prata.

    Oh! que penas tão fundas
    e nunca aliviadas,
    as vozes dolorosas
    que os poetas cantam!

    Deixaria no livro
    neste toda a minha alma...


    Federico García Lorca
    (Trad. Óscar Mendes)

    Beijito, Miss. E muitos e bons livros.

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  2. Tão lindo!
    Hoje, por entre as múltiplas tarefas burocráticas que se agigantam com o final do ano letivo, esmagada pelas respostas dos testes dos meus alunos que refletem o país que temos e não anunciam muito melhor para o país que teremos, tive de ir ler um pouquinho, voltar a ver textos, frases bem construídos, ideias alinhadas e um pouco de romance. Após o almoço, prolonguei a bica na esplanada e dei comigo a sorver as palavras do romance sobre África que não consigo terminar por causa do contexto já descrito. Depois...paguei caro o devaneio e aqui estou eu, a trabalhar hoje, ainda que seja amanhã...

    Boa noite, Mestre. Beijito.

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