domingo, 11 de março de 2012

Memória em Horas Extraordinárias

Foi hoje (talvez porque é sábado) que fui, finalmente, ao blogue «Horas Extraordinárias» de Maria do Rosário Pedreira, de quem já me têm ofertado por aqui poemas e sobre quem li uma reportagem há tempos no DN.

E lá fui eu, procurando mitigar o sofrimento de ver os testes e recolher-me por um breve tempo em textos que me agradessem ler.

Logo para entrada, o texto mais recente, é sobre um tema que me é tão querido: A memória e o seu carácter muito pessoal. Reproduzo aui o texto:

09 Mar 12Memória e ficção Por Maria do Rosário Pedreira, às 09:33 Esteve de novo recentemente em Portugal a romancista espanhola Rosa Montero, autora dessa obra genial e diferente de tudo o que li até hoje intitulada A Louca da Casa, cuja personagem principal é, no fundo, a imaginação. Levada desta feita a reflectir sobre o peso da memória na ficção, na sua e na dos outros, contou uma história surpreendente que, até certo ponto, complementa o referido livro. Rosa tem um irmão com o qual cresceu e não existe entre ambos grande diferença de idade. Separaram-se naturalmente quando saíram de casa e, porque o irmão veio entretanto viver para Portugal, vêem-se agora muito menos. Quando se encontram, por isso, não resistem a recordar os tempos em que eram pequenos e brincavam juntos na mesma casa. Ouvindo o irmão falar sobre a infância e a vida em família, Rosa Montero ficou, no entanto, completamente perplexa e confessou: «Não é possível que tivéssemos os mesmos pais. Os meus não tinham nada que ver com o que ele recordava.» E, para concluir, avançou com uma proposta bem interessante: «A memória é uma história que contamos a nós mesmos.»

2 comentários:

  1. Concordo inteiramente com a definição de memória. E tenho a autora integrando a minha.


    OUTRA VOZ



    Ela não pediu esse silêncio. Mas também nada fez
    para defender-se dele ou dominá-lo. Quando entrou,
    a casa tinha-se calado de repente, as coisas dele
    tinham mudado de lugar, desaparecido, e não importava
    que tivesse sido ela própria a escondê-las, de véspera,
    na arca das lãs que só voltaria a abrir no inverno.

    Ela não quis conhecer esse silêncio. Soube apenas
    que não voltaria a ouvir a voz dele
    no espelho do seu quarto — a outra voz.

    Sentou-se no chão e abriu um pequeno livro de capa azul.
    Naquele fim de tarde, só mesmo os livros podiam dizer
    algo mais que o silêncio ― essa outra voz.


    Maria do Rosário Pedreira

    Beijito, Miss.

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  2. Também vi lá um post recente sobre uma memória de Miguel Torga...

    Beijito.

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