domingo, 2 de outubro de 2011

Será que alguma história acaba verdadeiramente?

" (...)
Alguns anos passaram sobre
a nossa história que não acabou.
A tarde envelhece e escrevo isto
sem saber porquê."

Isabel de Sá (colhido em http://poediapoedia.blogspot.com/)

2 comentários:


  1. Poema do alegre desespero


    Compreende-se que lá para o ano três mil e tal
    ninguém se lembre de certo Fernão barbudo
    que plantava couves em Oliveira do Hospital,

    ou da minha virtuosa tia-avó Maria das Dores
    que tirou um retrato toda vestida de veludo
    sentada num canapé junto de um vaso com flores.

    Compreende-se.

    E até mesmo que já ninguém se lembre que houve três impérios no Egipto
    (o Alto Império, o Médio Império e o Baixo Império)
    com muitos faraós, todos a caminharem de lado e a fazerem tudo de perfil,
    e o Estrabão, o Artaxerpes, e o Xenofonte, e o Heraclito,
    e o desfiladeiro das Termópilas, e a mulher do Péricles, e a retirada dos dez mil,
    e os reis de barbas encaracoladas que eram senhores de muitas terras,
    que conquistavam o Lácio e perdiam o Épiro, e conquistavam o Épiro e perdiam o Lácio,

    e passavam a vida inteira a fazer guerras,
    e quando batiam com o pé no chão faziam tremer todo o palácio,
    e o resto tudo por aí fora,
    e a Guerra dos Cem Anos,
    e a Invencível Armada,
    e as campanhas de Napoleão,
    e a bomba de hidrogénio,
    e os poemas de António Gedeão.

    Compreende-se.

    Mais império menos império,
    mais faraó menos faraó,
    será tudo um vastíssimo cemitério,
    cacos, cinzas e pó.

    Compreende-se.
    Lá para o ano três mil e tal.

    E o nosso sofrimento para que serviu afinal?


    António Gedeão

    Somos uma espécie esquisita, sempre a contar as pegadas que deixámos na areia, antes de a próxima onda as apagar...

    Beijito, Miss, mas para já.

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  2. Até há quem viva de desenterrar cacos e contar as histórias de outros que nunca conheceu!
    Ele há gente...

    Beijito.

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