quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Madrid: Visão de Turista

2 comentários:


  1. Turista acidental


    Fui fotografado à minha revelia,
    em frente a um templo egípcio
    no Metropolitan Museum de Nova Iorque.
    À minha revelia, de novo, fotografado fui
    na 5.ª Avenida às três e meia da tarde.

    Assim, um sem-número de vezes
    em frente ao Coliseu,
    nas ruínas de Machu Pichu,
    perto da Torre de Londres,
    junto à Catedral de Colónia,
    sobre as pedras da Acrópole, em Atenas,
    nas mesquitas de Istambul
    e, evidente, em Juiz de Fora.

    Guardado estou
    em álbuns
    japoneses, italianos, americanos, alemães, franceses
    argentinos, senegaleses,
    disperso
    desatento
    como se aquele corpo
    não fosse meu.

    Quando mostram as fotos aos parentes e vizinhos
    sou pedra-porta-árvore-sombra-paisagem.

    Ninguém, reunindo as fotos, perguntará:
    — Quem é este constante figurante
    no flagrante do alheio instante?

    Disperso-dispersivo estou.

    Que álbum conterá a unidade perdida
    revelada do negativo
    perambulante que sou?


    Afonso Romano de Sant'Anna

    É todo o mal que lhe desejo, Miss: que fique assim nessas fotos todas...
    Beijito.

    Beijito.

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  2. Nas viagens há dessas coisas estranhas: recordo agora um grupo de japoneses que habita as minhas fotos do Canadá...

    Beijitos

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