terça-feira, 19 de julho de 2011

Pranto pelo dia de hoje

"Nunca choraremos bastante quando vemos
O gesto criador ser impedido
Nunca choraremos bastante quando vemos
Que quem ousa lutar é destruído
Por troças por insídias por venenos
E por outras maneiras que sabemos
Tão sábias tão subtis e tão peritas
Que nem podem sequer ser bem descritas"

Sophia de Mello Breyner (1919-2004)

2 comentários:


  1. Ai, quem me dera…


    Ai, quem me dera terminasse a espera
    Retornasse o canto simples e sem fim
    E ouvindo o canto se chorasse tanto
    Que do mundo o pranto se estancasse enfim
    Ai, quem me dera ver morrer a fera
    Ver nascer o anjo, ver brotar a flor.
    Ai, quem me dera uma manhã feliz.
    Ai, quem me dera uma estação de amor
    Ah, se as pessoas se tornassem boas
    E cantassem loas e tivessem paz
    E pelas ruas se abraçassem nuas
    E duas a duas fossem ser casais
    Ai, quem me dera ao som de madrigais
    Ver todo mundo para sempre afim
    E a liberdade nunca ser demais
    E não haver mais solidão ruim
    Ai, quem me dera ouvir o nunca-mais
    Dizer que a vida vai ser sempre assim
    E, finda a espera, ouvir na primavera
    Alguém chamar por mim.

    Vinícius de Moraes

    Beijito, Miss.

    ResponderEliminar
  2. Esperemos pela Primavera, então.
    Quem sabe?...

    Beijito, Mestre.

    ResponderEliminar