domingo, 24 de julho de 2011

Porto Alto

Ainda a viagem de helicóptero...

2 comentários:


  1. Dobrada à moda do Porto


    Um dia, num restaurante, fora do espaço e do tempo,
    Serviram-me o amor como dobrada fria.
    Disse delicadamente ao missionário da cozinha
    Que a preferia quente,
    Que a dobrada (e era à moda do Porto) nunca se come fria.

    Impacientaram-se comigo.
    Nunca se pode ter razão, nem num restaurante.
    Não comi, não pedi outra coisa, paguei a conta,
    E vim passear para toda a rua.

    Quem sabe o que isto quer dizer?
    Eu não sei, e foi comigo...

    (Sei muito bem que na infância de toda a gente houve um jardim,
    Particular ou público, ou do vizinho.
    Sei muito bem que brincarmos era o dono dele.
    E que a tristeza é de hoje).

    Sei isso muitas vezes,
    Mas, se eu pedi amor, porque é que me trouxeram
    Dobrada à moda do Porto fria?
    Não é prato que se possa comer frio,
    Mas trouxeram-mo frio.
    Não me queixei, mas estava frio,
    Nunca se pode comer frio, mas veio frio.


    Álvaro de Campos

    Beijito, Miss.

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  2. Bom, eu não gosto de dobrada.
    E fria...
    Todo este poema me caiu na fraqueza, com franqueza.

    Beijito.

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