domingo, 9 de janeiro de 2011

Em fim de Domingo

Domingo é dia de quebra de rotina, de alguns excessos e de alguma auto-condescendência. Só isso justifica a tardia hora de levantar, o remanso da conversa rente ao almoço, a sobremesa docinha e o noticiário da noite.
Quanto a este - que vou jurando não voltar a ver na íntegra - é interessante analisar sobretudo a topografia: Na abertura, o crime (o incontornável assassinato de Carlos Castro), a seguir os que estão mortinhos por mandar (as campanhas presidenciais e as intervenções dos velhos protagonistas da cena política), em terceiro lugar, o mal-morto (a notícia do incompetente enfarte que Alberto João Jardim sofreu) e só depois - é verdade! só depois, a mais de meio do serviço noticioso - o futebol. Termina todo o programa com os comentários dos que, moribundos na política partidária, colocam os seus conhecimentos e argumentos ao serviço de «esclarecer» os portugueses, espalhando farpas e chupa-chupas aqui e ali.
Pouco se aprende por aqui, mas é um dos excessos do fim-de-semana...E anda a  publicidade a dizer que só o sabor do Compal é constante!...

1 comentário:


  1. Aos amigos


    Amo devagar os amigos que são tristes
    com cinco dedos de cada lado.
    Os amigos que enlouquecem e estão sentados
    fechando os olhos com os livros atrás a arder
    para toda a eternidade.
    Não os chamo e eles voltam-se
    profundamente dentro do fogo.
    Temos um talento doloroso e obscuro.
    Construímos um lugar de silêncio.
    De paixão.


    Herberto Helder

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