"Encosta-te a mim,
nós já vivemos cem mil anos
encosta-te a mim,
talvez eu esteja a exagerar
encosta-te a mim,
dá cabo dos teus desenganos
não queiras ver quem eu não sou,
deixa-me chegar. "
Encosta-te a Mim, Jorge Palma
Será que as palavras ficam presas no tempo? Terão as palavras alguma coisa a ver com a moda, efémera e volátil? Evocações do passado também poderão ser palavras que, outrora, marcaram tanto o nosso quotidiano como o som do chiar do baloiço, o pregão da “língua da sogra” na praia ou o cheiro do cozido à portuguesa ao domingo?... Procurar e (re)contextualizar palavras, embalarmo-nos nelas, divagar sobre elas, são alguns dos objectivos deste projecto. Por puro prazer!
3 comentários:
Desejo indomável
Como corre a gazela
pela sombra dos bosques,
enlouquecida pelo próprio perfume,
assim corro eu, enlouquecido,
nesta noite do coração de maio
aquecida pela brisa do sul.
Perdi o caminho
e erro ao acaso.
Quero o que não tenho
e tenho o que não quero.
A imagem do meu próprio desejo
sai do meu coração
e, dançando diante de mim,
cintila uma e outra vez,
subitamente.
Quero agarrá-la, mas escapa-se.
E, já longe, chama-me outra vez
do atalho...
Quero o que não tenho
e tenho o que não quero.
Rabindranath Tagore
(tradução de Manuel Simões)
Gosto muito de Jorge Palma, o nosso cantor de "vaudeville", mas o título desta canção "exige-me" sempre a resposta que a minha mãe por vezes aplicava: "Encosta-te ao que comeste!"
Ah! Que remate tão desnecessário! Mas, pronto...estava a ir tão bem...
Então, Miss, não está para brincadeiras?
Desculpe, não sabia que uma piada feita sobre um título de canção a ia desapontar assim...
Mandamento 13.º: «Não contarás piadas sobre títulos de canções que mereçam etiqueta "I Wish".»
Eu, pecador, vou tentar cumprir mais este mandamento...
(Mas vou pensá-las apenas para mim e rir-me para dentro.)
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