quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Um Museu cujo Acervo são Palavras: As Palavras da Língua Portuguesa

4 comentários:

  1. um museu sem tempo composto de
    peças que são imortais e únicas
    (mas podemos sempre visitá-las
    e trazê-las depois connosco)

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  2. Olá Caríssimo!

    Tive o privilégio de conhecer este museu, numa visita institucional, com pouco tempo para explorar as múltiplas possibilidades do espaço.

    É uma emoção!

    É um dos muitos bons motivos para voltar a São Paulo.

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  3. Língua portuguesa


    Última flor do Lácio, inculta e bela,
    És, a um tempo, esplendor e sepultura:
    Ouro nativo, que na ganga impura
    A bruta mina entre os cascalhos vela…

    Amo-te assim, desconhecida e obscura,
    Tuba de alto clangor, lira singela,
    Que tens o trom e o silvo da procela
    E o arrolo da saudade e da ternura!

    Amo o teu viço agreste e o teu aroma
    De virgens selvas e de oceano largo!
    Amo-te, ó rude e doloroso idioma,

    Em que da voz materna ouvi: “meu filho!”
    E em que Camões chorou, no exílio amargo,
    O génio sem ventura e o amor sem brilho!


    Olavo Bilac

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  4. E de novo, Lisboa...


    E de novo, Lisboa, te remancho,
    numa deriva de quem tudo olha
    de viés: esvaído, o boi no gancho,
    ou o outro vermelho que te molha.

    Sangue na serradura ou na calçada,
    que mais faz se é de homem ou de boi?
    O sangue é sempre uma papoila errada,
    cerceado do coração que foi.

    Groselha, na esplanada, bebe a velha,
    e um cartaz, da parede, nos convida
    a dar o sangue. Franzo a sobrancelha:
    dizem que o sangue é vida; mas que vida?

    Que fazemos, Lisboa, os dois, aqui,
    na terra onde nasceste e eu nasci?


    Alexandre O´Neill

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