quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Causa e Consequência

Procura-se
Sempre vivo e nunca morto.
Procura-se
Quem nos falta na escrita, buscada sofregamente em cada fim de dia.
Procura-se
A companhia que, nunca deixando de ser ausente, ganhou o espaço da sua presença.

A desorientação é já grande na comunidade, que se interroga, em aflição: Como fazer?
Discute-se a hipótese de criar um cartaz para espalhar pelas cidades - com rosto de poesia, cabelos de sílabas e semblante de entrega – para que nos possam dar notícias.
Os mais pessimistas alvitram a hipótese de uma baixa por gripe A. Insurjo-me, grito furiosa: Ah! Mendes Criminosas! Abutres da desgraça! A minha hipótese prende-se com obrigações cívicas – a participação activa na campanha eleitoral, do lado dos que acreditam na liberdade e na mudança, no sonho e na poesia de vidas dedicadas a causas. Essa sim, era uma boa causa!
Mas que tudo isto causa inquietação causa; seja qual for a causa…

1 comentário:

  1. Onde o outono aquece

    Aqui, na fenda da rotina onde o outono aquece,
    vou desenhar a sede, lentamente.
    Já não falo de nós, peregrinos
    das rotas que inventámos.
    Por dentro das metáforas, violo
    apenas os limites do sossego e desfaço
    todos os nós do medo no fulgor livre do verbo.
    É morno o gesto com que percorro
    os momentos inquietantes do quotidiano.
    Imagens e sons são, quase sempre,
    o fundo falso onde, de forma ambígua,
    me escondo para representar todos os rituais,
    sagrados e profanos, do dia-a-dia.
    Aquém de mim acendem-se todos os mares
    e, na voz dos marinheiros, pergunto ao sol
    se pode ser eterna a sombra de um barco.


    Graça Pires

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