sexta-feira, 12 de julho de 2013

Matinal

Atravessando cedo a principal praça da cidade ouço a conversa entre duas empregadas de um café que organizavam a esplanada:
- Olha para a fila do Correio!
- Deus seja louvado!
Olhei para a longa fila de gente à porta dos Correios, esperando pela abertura do serviço, mas não consegui perceber porque é que Deus deveria ser particularmente louvado por uma longa fila de pessoas que queria receber a pensão ou enviar cartas.

2 comentários:


  1. CARTA


    Há muito tempo, sim, não te escrevo.
    Ficaram velhas todas as notícias.
    Eu mesmo envelhecí: olha em relevo
    estes sinais em mim, não das carícias
    (tão leves) que fazias no meu rosto:
    são golpes, são espinhos, são lembranças
    da vida a teu menino, que a sol-posto
    perde a sabedoria das crianças.

    A falta que me fazes não é tanto
    à hora de dormir, quando dizias
    "Deus te abençoe", e a noite abria em sonho.

    É quando, ao despertar, revejo a um canto
    a noite acumulada de meus dias,
    e sinto que estou vivo, e que não sonho.


    Carlos Drummond de Andrade


    Tenho saudades do tempo em que não tínhamos ainda "aprendido" a não dizer bicha com medo de confusões. Era um tempo em que as telenovelas brasileiras não nos vinham "ensinar" a não usar palavras, mas apenas a usar novas e divertidas brasileirices.

    Beijito, Miss. E evite as bichas para os selos: envie e-mails.

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  2. Há tanto tempo que não envio uma carta!
    Da última vez - há uns anos - adquiri o último bloco de carta (com imagens em fundo) e envelopes da papelaria.
    E esforcei-me muito por merecer aquele papel numa sentida missiva para uma amiga do lado de lá do Atlântico.

    Beijito, Mestre.

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