domingo, 24 de fevereiro de 2013

Labirinto

"Labirinto ou não foi nada
...
Talvez houvesse uma flor
aberta na tua mão.
Podia ter sido amor,
e foi apenas traição.

É tão negro o labirinto
que vai dar à tua rua. . .
Ai de mim, que nem pressinto
a cor dos ombros da Lua!

Talvez houvesse a passagem
de uma estrela no teu rosto.
Era quase uma viagem:
foi apenas um desgosto.

É tão negro o labirinto
que vai dar à tua rua...
Só o fantasma do instinto
na cinza do céu flutua.

Tens agora a mão fechada;
no rosto, nenhum fulgor.
Não foi nada, não foi nada:
podia ter sido amor."


David Mourão-Ferreira

2 comentários:


  1. CONFIDENCIAL


    Não me perguntes, porque nada sei
    Da vida,
    Nem do amor,
    Nem de Deus,
    Nem da morte.
    Vivo,
    Amo,
    Acredito sem crer,
    E morro, antecipadamente
    Ressuscitando.
    O resto são palavras
    Que decorei
    De tanto as ouvir.
    E a palavra
    É o orgulho do silêncio envergonhado.
    Num tempo de ponteiros, agendado,
    Sem nada perguntar,
    Vê, sem tempo, o que vês
    Acontecer.
    E na minha mudez
    Aprende a adivinhar
    O que de mim não possas entender.


    Miguel Torga


    Beijito, Miss. Não esqueça o seu novelo...

    ResponderEliminar