terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Pedido Silenciado

"FICA COMIGO ESTA NOITE

Fica comigo esta noite
...
deixa que amanheça nos teus braços
embalada pelo rumor das tuas águas
abraça-me devagar
sem tempo
desenha com a tua boca o contorno do meu corpo
grava em mim o sabor deste momento
numa linguagem de beijos e suor

não me olhes
na ausência dos barcos que partiram
e talharam na memória não mais que um adeus
fica comigo esta noite
desvenda essa luz que a treva esconde
cala a urgência dos beijos que não demos
não perguntes quanto tempo dura a eternidade."


Clara Maria Barata (pré publicação em Quem Lê Sophia de Mello Breyner Andresen)

4 comentários:

  1. Fez-me lembrar esta "velharia" (convém ter lenços à mão):

    GUITARRA TOCA BAIXINHO

    Guitarra toca baixinho
    Que alguém pode escutar
    Só ela deve entender,
    Só ela deve saber
    Que estou falando de amor...

    Cantam os grilos no campo,
    E um pássaro no ramo,
    Ninguém dorme nesta noite,
    E menos ela que agora,
    Escuta um riacho e suspira!

    Lua parada no céu,
    O vaga-lume que passa,
    Guitarra minha toca baixinho,
    E mesmo com a mão incerta,
    Toca guitarra que é hora!

    É hora, de dar-lhe todo bem que há no meu peito,
    Dizer-lhe Deus também tenho direito
    De amá-la como nunca amei ninguém!
    É hora de respirar um pouco de ar puro,
    Um prado é verde quando é Primavera,
    E o Sol é quente mas a noite espera,
    Por nós ...

    A noite está tão serena,
    Eu dormindo em seu seio...
    Deus! Como bate o coração,
    A gente sonha e agora,
    Dorme guitarra que é hora!

    É hora, de dar-lhe todo bem que há no meu peito,
    Dizer-lhe Deus também tenho direito
    De amá-la como nunca amei ninguém!
    É hora de respirar um pouco de ar puro,
    Um prado é verde quando é Primavera,
    E o Sol é quente mas a noite espera,
    E é hora...


    (desconheço de quem é a versão portuguesa)


    http://youtu.be/DjuvAU0dnv8

    Beijito, Miss.

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  2. Xiiii! Esta é mesmo antiga!
    Soa-me a "discos pedidos", ouvidos no rádio de pilhas, na cama, já com a luz desligada.
    (A avó passava daí a pouco para desligar a telefonia).

    Beijito, Mestre.

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  3. Mudando de tema...

    RECREIO

    Na claridade da manhã primaveril,
    Ao lado da brancura lavada da escola,
    As crianças confraternizam com a alegria das aves…

    A mão doce do vento afaga-lhes os cabelos,
    E o sol abre-lhes rosas nas faces saudáveis
    — Um sol discreto que se esconde às vezes entre nuvens brancas…

    As meninas dançam de roda e cantam
    As suas cantigas simples, de sentido obscuro e incerto,
    Acompanhadas de gestos senhoris e graves.

    Os rapazes correm sem tino e travam lutas,
    Gritam entusiasmados o amor espontâneo à vida,
    A vida que vai chegando despercebida e breve…

    E a jovem mestra olha todos enlevadamente,
    Com um sorriso misterioso nos lábios tristes…


    Alberto de Serpa


    Beijito, Miss. Que o seu sorriso não saia de uns lábios tristes.

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  4. No mesmo tema. Não sei porque me lembrei disto...

    "Pico, pico, serapico,

    Quem te deu

    Tamanho bico?

    Salta a pulga da balança

    Dá um pulo até à França

    Os cavalos a correr

    As meninas a aprender

    Qual será a mais bonita

    Que se vai esconder?"


    Boa noite, Mestre.

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