terça-feira, 18 de dezembro de 2012

O Impossível Carinho


"Escuta, eu não quero contar-te o meu desejo
Quero apenas contar-te a minha ternura
Ah se em troca de tanta felicidade que me dás
Eu te pudesse repor
- Eu soubesse repor -
No coração despedaçado
As mais puras alegrias de tua infância!"


Manuel Bandeira  (1886-1968)

5 comentários:


  1. CANÇÃO TRISTE


    Sol, que dá nas ruas, não dá
    No meu carinho.
    A felicidade quando virá?
    Por que caminho?

    Horas e horas por fim são meses
    De ansiado bem.
    Eu penso em ti indecisas vezes,
    E tu ninguém!

    Não tenho barco para a outra margem,
    Nem sei do rio
    Ah! E envelheceu já tua imagem
    E eu sinto frio.

    Não me resigno, não me decido,
    Choro querer...
    Sempre eu! Ó sorte, dá-me o olvido
    De pertencer!

    Enterrei hoje outra vez meu sonho
    Amanhã virá
    Tornar-me triste por ser risonho,
    E não ser já.


    Fernando Pessoa

    Beijito, Miss.
    Umas boas festas, pese embora o Gaspar.

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  2. Lá teremos que nos virar para o Baltazer e o Belchior...

    Boas Festas para si também, Mestre!

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  3. CHOVE. É DIA DE NATAL


    Chove. É dia de Natal.
    Lá para o Norte é melhor:
    Há a neve que faz mal.
    E o frio que ainda é pior.
    E toda a gente é contente
    Porque é dia de o ficar.
    Chove no Natal presente.
    Antes isso que nevar.
    Pois apesar de ser esse
    O Natal da convenção,
    Quando o corpo me arrefece
    Tenho o frio e Natal não.
    Deixo sentir a quem quadra
    E o Natal a quem o fez,
    Pois se escrevo ainda outra quadra
    Fico gelado dos pés.


    Fernando Pessoa


    Boa consoada, Miss, cheia de presentes.
    E um dia de Natal cheiinho de esperanças de um ano novo melhor.

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  4. LA INFANCIA


    La infancia en mi memoria es un derroche,
    una inmensa fortuna en el desierto,
    una flor en las manos de un cosaco,
    un tiempo en que creí no tener nada
    y sin saberlo tuve lo más grande:
    esa firme creencia en que los años
    pondrían a mis pies el mundo entero.
    La infancia se parece a esos regalos
    que a los niños les hacen para luego,
    diciendo que los guarden, que algún día
    aprenderán sin duda a utilizarlos.
    La infancia es un regalo que disgusta
    porque uno no sabe de qué sirve,
    y, cuando al fin lo entiende, ya lo ha roto.


    Vicente Gallego

    No Natal apetecia ser criança, cada prenda um sorriso de surpresa, olhos esbugalhados para a maravilha.

    Beijito, Miss. Prepare-se para um réveillon animado com o já célebre conjunto Petas do Gaspar.

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  5. Então esse otimismo, Mestre?
    Lá porque a palavra ficou mais pequenina sem 'p', não podemos desesperar.
    Outras crises já foram ultrapassadas e esta também será.
    Que o 2013 nos ilumine de fé e esperança e força para construir o futuro (que nunca foi fácil).
    Beijito.

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