segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Lamúria

Agora que recomeçou a chuva penso por vezes naquela anedota do alentejano que é o único passageiro de um autocarro e chove no lugar em que está sentado.
Quando o motorista lhe diz: Oh homem! Porque é que não troca de lugar, ele responde que "Nã tem com quem".

Amanhã volto à Escola e penso que gostava de poder trocar opiniões com outras pessoas, mas...

4 comentários:

  1. É arrogante. Eu sei: é muito arrogante, não é politicamente correto, etc.
    Mas é também para isso que eu tenho o blogue: para dizer o que me apetece e o que não posso dizer noutros lados!
    Mas...cada vez mais isto está a ser um problema: passo o fim de semana sozinha ou com os meus amigos, que são especiais senão não eram meus amigos, para mim são, obviamente, especiais.
    E depois o fim de semana acaba e tenho de voltar para lá, onde estou há mais de uma década e já não consigo muito dar oportunidades ao contexto...Volto para ali e pronto.
    Em algum sítio tenho de exprimir a minha enorme desilusão.

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  2. CONVERSAR


    E num poema leio:
    conversar é divino.
    Os deuses, contudo, não falam:
    fazem, desfazem mundos,
    enquanto falam os homens.
    Que os deuses, sem palavras,
    jogam terríveis jogos.

    O espírito desce,
    e desata as línguas,
    palavras, porém não fala:
    fala lume. A linguagem
    pelo deus acendida,
    é uma profecia
    de chamas e um cair
    de sílabas queimadas:
    cinza sem sentido.

    A palavra do homem
    é bem filha da morte.
    Falamos porque somos
    mortais: e as palavras
    não são signos, são anos.
    Ao dizer o que dizem,
    os nomes que dizemos
    dizem tempo: nos dizem,
    somos nomes do tempo.
    Conversar é humano.


    Octavio Paz


    Como a entendo, Miss!
    Beijito.

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  3. QUANDO ESTOU SÓ…


    Quando estou só reconheço
    Se por momentos me esqueço
    Que existo entre outros que são
    Como eu sós, salvo que estão
    Alheados desde o começo.

    E se sinto quanto estou
    Verdadeiramente só,
    Sinto-me livre mas triste.
    Vou livre para onde vou,
    Mas onde vou nada existe.

    Creio contudo que a vida
    Devidamente entendida
    É toda assim, toda assim.
    Por isso passo por mim
    Como por coisa esquecida.


    Fernando Pessoa

    Beijito, Miss.

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  4. Ah Mestre, obrigada.
    E eu tão só!
    E eu que queria tão somente ser compreendida...ou talvez tão só compreender os outros que se cruzam no meu caminho, diria que frequentemente se atravessam no meu caminho.
    Mas afinal isto não é uma coisa simples. E o tão só fica um estado de espírito, uma veste, uma condenação...uma libertação.
    É muito difícil ser tão só!

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