terça-feira, 15 de maio de 2012

Para que servem os poetas?

"«para que servem
Os poetas em tempo de indigência?»(1)
Pergunta ela. Respondo eu.

Na escassez do pão
Servem os poetas e o pensamento
Para alimentar a esperança
De um novo início
Afundada esperança essa
Num mar de tanta e tão profunda ignorância
Tanto futebol
Como se tivéssemos voltado
«...a deambular por florestas
Sem consoantes aos nossos nomes»(2)
Florestas agora de betão
Onde se senatm
Ou gritam em pé em lugares pagos
Milhares
Mesmo na escassez do pão
No retrocesso a berros sem consoantes
Como se a escassez dos poetas
E do pensamento
Essa sim
A esta terceira miséria
Que a poeta tão bem
Canta e conta
Como um banquete
Em tempo de indigência."


(1) Hélia Correia
(2)WH Auden

Maria de Sousa, a partir de um poema de Hélia Correia
publicado em JL, nº1085

2 comentários:


  1. AOS POETAS


    Somos nós
    As humanas cigarras!
    Nós,
    Desde os tempos de Esopo conhecidos.
    Nós,
    Preguiçosos insectos perseguidos.
    Somos nós os ridículos comparsas
    Da fábula burguesa da formiga.
    Nós, a tribo faminta de ciganos
    Que se abriga
    Ao luar.
    Nós, que nunca passamos
    A passar!...
    Somos nós, e só nós podemos ter
    Asas sonoras,
    Asas que em certas horas
    Palpitam,
    Asas que morrem, mas que ressuscitam
    Da sepultura!
    E que da planura
    Da seara
    Erguem a um campo de maior altura
    A mão que só altura semeara.

    Por isso a vós, Poetas, eu levanto
    A taça fraternal deste meu canto,
    E bebo em vossa honra o doce vinho
    Da amizade e da paz!
    Vinho que não é meu,
    mas sim do mosto que a beleza traz!

    E vos digo e conjuro que canteis!
    Que sejais menestréis
    De uma gesta de amor universal!
    Duma epopeia que não tenha reis,
    Mas homens de tamanho natural!
    Homens de toda a terra sem fronteiras!
    De todos os feitios e maneiras,
    Da cor que o sol lhes deu à flor da pele!
    Crias de Adão e Eva verdadeiras!
    Homens da torre de Babel!

    Homens do dia-a-dia
    Que levantem paredes de ilusão!
    Homens de pés no chão,
    Que se calcem de sonho e de poesia
    Pela graça infantil da vossa mão!


    Miguel Torga

    Beijito, Miss.

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  2. Magnífico.
    Aos Poetas!

    Beijito, Mestre.

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