"sou
para o outro
este corpo esta
voz
sou o que digo
e faço
enquanto posso
mas
para mim
só sou
se penso que sou
enfim
se sou
a consciência
de mim
e quando
vinda a morte
ela se apague
serei o que alguém acaso
salve
do olvido
já que
para mim
(lume apagado)
nunca terei existido"
Ferreira Gullar
ResponderEliminarBem no fundo
No fundo, no fundo,
bem lá no fundo,
a gente gostaria
de ver nossos problemas
resolvidos por decreto
a partir desta data,
aquela mágoa sem remédio
é considerada nula
e sobre ela — silêncio perpétuo
extinto por lei todo o remorso,
maldito seja quem olhar pra trás,
lá pra trás não há nada,
e nada mais
mas problemas não se resolvem,
problemas têm família grande,
e aos domingos saem todos a passear
o problema, sua senhora
e outros pequenos probleminhas.
Paulo Leminski
Beijito, Miss.
"problemas têm família grande"
ResponderEliminarTão fantástico como, em tom de brincadeira, este poeta dispara tiros certeiros. Adorei!
Beijitos fresquinhos de Verão.