quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Televisão

Hoje tive «uma aberta» e resolvi vir almoçar a casa, a pé, fazendo umas pequenas compras pelo caminho.

Cheguei agora a casa e fui separar e arrumar o que tinha comprado.

Por norma, nunca vejo televisão antes do almoço, quer porque não tenho tempo, quer talvez também por ter sido habituada - no tempo em que não havia televisão a toda a hora - a ver os noticiários e os programas da noite.

Olhei para o relógio e resolvi ligar logo a televisão, pois assim não deixaria passar as ´primeiras notícias.

RTP1: «Matou o vizinho e diz que isso lhe foi ordenado pelo Diabo»

SIC: «Regou a namorada com ácido e agora é ininputável»

TVI: depoimentos da casa dos segredos.

Não valerá a pena comentar este inventário (que, infelizmente, não é inventado), pois não?

3 comentários:


  1. XII — Prece


    Senhor, a noite veio e a alma é vil.
    Tanta foi a tormenta e a vontade!
    Restam-nos hoje, no silêncio hostil,
    O mar universal e a saudade.

    Mas a chama, que a vida em nós criou,
    Se ainda há vida ainda não é finda.
    O frio morto em cinzas a ocultou:
    A mão do vento pode erguê-la ainda.

    Dá o sopro, a aragem — ou desgraça ou ânsia —,
    Com que a chama do esforço se remoça,
    E outra vez conquistemos a Distância —
    Do mar ou outra, mas que seja nossa!


    Fernando Pessoa

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  2. Nem sei se com preces...não...não me p(a)rece nada...

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  3. A prece é "apenas" para que conquistemos a distância — ou seja, que nos ponhamos todos a milhas desta desgraça mais ou menos localizada na ponta mais ocidental da Europa, naquele tal jardim à beira-mar abandonado...

    Podemos sempre redescobrir o pedação abandonado da nossa

    Pátria

    Serra!
    E qualquer coisa dentro de mim se aclama...
    Qualquer coisa profunda e dolorida,
    Traída,
    Feita de terra
    E alma.

    Uma paz de falcão na sua altura
    A medir as fronteiras:
    — sob a garra dos pés a fraga dura,
    e o bico a picar estrelas verdadeiras...


    Miguel Torga

    Claro que já matámos os falcões todos, mas mesmo assim ainda será um bom refúgio...

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