sábado, 6 de novembro de 2010

Necessito Naufragar

"Canção

Pus o meu sonho num navio
e o navio em cima do mar;
- depois, abri o mar com as mãos,
para o meu sonho naufragar


Minhas mãos ainda estão molhadas
do azul das ondas entreabertas,
e a cor que escorre de meus dedos
colore as areias desertas.


O vento vem vindo de longe,
a noite se curva de frio;
debaixo da água vai morrendo
meu sonho, dentro de um navio...


Chorarei quanto for preciso,
para fazer com que o mar cresça,
e o meu navio chegue ao fundo
e o meu sonho desapareça.


Depois, tudo estará perfeito;
praia lisa, águas ordenadas,
meus olhos secos como pedras
e as minhas duas mãos quebradas."


Cecília Meireles (1901-1964)

4 comentários:

  1. Muito lindo, como todos os poemas de Cecília (isto hoje está parecendo um Cecília para cá, Cecília para lá...), mas acho um fim um pouco final demais.

    Falta, certamente, uma última quadra: a que diria que, então, está na hora de abraçar outros sonhos, porque sem eles não sobreviveremos...

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  2. A menina pó de arroz

    A menina pó de arroz,
    Nascida à beira do mar
    Com o oceano nos olhos
    E com sorrisos de lua
    Nos seus lábios pequeninos
    Que nunca ninguém beijou,
    A menina pó de arroz,
    Com seus cabelos de cobre
    Onde o vento vem brincar,
    Assoma à sua janela
    P'ra ver a noite estrelada,
    Para ouvir os sons da noite,
    Para beber o luar.
    Para ter em suas mãos
    Macias, longas e brancas,
    A noite tépida e branda,
    A velha noite calada.
    A menina pó de arroz,
    Que por uma abreviatura
    Do seu nome arrevesado
    É chamada entre família
    Por um nome miudinho
    De marca de pó de arroz,
    Com seu corpinho de fada
    Que saiu de alguma fonte
    Que há pouco perdeu o encanto,
    Com a cabeça nas mãos,
    Enquanto na casa dormem,
    Veio pôr-se na janela
    Para que a noite a beijasse.
    A menina pó de atroz
    Estará enamorada?


    António Rebordão Navarro

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  3. Era uma pergunta?

    Só falo na presença do meu advogado...:-)

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  4. Se eu fosse mauzinho, perguntaria agora: "Ah, ele é advogado?".

    Mas não, não sou mauzinho.

    Um bom despertar, cheio de sorrisos de felicidade, Miss.

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