quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Não mata...mas mói!

Mas há a vida

Mas há a vida
que é para ser
intensamente vivida,
há o amor.

Que tem que ser vivido
até a última gota.
Sem nenhum medo.
Não mata.

Clarice Lispector  (1920-1977)

3 comentários:


  1. Amor


    Quando o amor o chamar
    Se guie
    Embora seus caminhos sejam agrestes e escarpados
    E quando ele vos envolver com suas asas
    Cedei-lhe
    Embora a espada oculta na sua plumagem possa feri-vos
    E quando ele vos falar
    Acreditai nele
    Embora a sua voz possa despedaçar vossos sonhos como o vento devasta o jardim
    Pois da mesma forma que o amor vos coroa, assim ele vos crucifica
    E da mesma forma que contribui para o vosso crescimento
    Trabalha para vossa poda
    E da mesma forma que alcança vossa altura e acaricia vossos ramos mais tenros que se embalam ao sol
    Assim também desce até vossas raízes e as sacode no seu apego à terra
    Como feixes de trigo ele vos aperta junto ao seu coração
    Ele vos debulha para expor a vossa nudez
    Ele vos peneira para libertar-vos das palhas
    Ele vos mói até extrema brancura
    Ele vos amassa até que vos torneis maleáveis
    Então ele vos leva ao fogo sagrado e vos transforma no pão místico do banquete divino
    Todas essas coisas o amor operará em vós para que conheçais os segredos de vossos corações
    E com esse conhecimento vos convertais no pão místico do banquete divino
    Todavia se no vosso temor procurardes somente a paz do amor, o gozo do amor
    Então seria melhor para vós que cobrísseis vossa nudez, abandonásseis a ira do amor
    Para entrar num mundo sem estações onde rireis, mas não todos os vossos risos
    E chorareis, mas não todas as vossas lágrimas
    O amor nada dá, se não de si próprio
    E nada recebe, se não de si próprio
    O amor não possui nem se deixa possuir
    Pois o amor basta-se a si mesmo
    Quando um de vós ama, que não diga 'Deus está no meu coração'
    Mas que diga antes 'Eu estou no coração de Deus'
    E não imagineis que possais dirigir o curso do amor pois o amor se vos achar dignos determinará ele próprio vosso curso
    O amor não tem outro desejo se não o de atingir a sua plenitude
    Se contudo amardes e precisardes ter desejos
    Sejam estes os vossos desejos
    De vos diluirdes no amor e serdes como um riacho que canta sua melodia para a noite
    De conhecerdes a dor de sentir ternura demasiada
    De ficardes feridos por vossa própria compreensão do amor
    E de sangrardes de boa vontade e com alegria
    De acordardes na aurora com o coração alado e agradecerdes por um novo dia de amor
    De descansardes ao meio-dia e meditardes sobre o êxtase do amor
    De voltardes pra casa à noite com gratidão
    E de adormecerdes com uma prece no coração para o bem-amado
    E nos lábios uma canção de bem-aventurança


    Poema árabe de autor desconhecido

    (Que curiosidade... Quando chega o advogado?)

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. o que não mata nem mói um bocadinho
    é um bom e feliz são martinho!

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