terça-feira, 2 de novembro de 2010

Dia dos Fiéis Defuntos

E os cemitérios transformam-se em jardins floridos, altares dos que habitam a nossa memória.

Um dos primeiros sinais da «hominização do Homem» é a existência de sepulturas, que, por analogia com as sociedades posteriores, associamos a um culto dos mortos pelas sociedades dos vivos.

É um bom dia para visitar um cemitério.

1 comentário:

  1. Balada de Pedro Nava
    (O anjo e o túmulo)

    Meu amigo Pedro Nava
    Em que navio embarcou:
    A bordo do Westphalia
    Ou a bordo do Lidador?

    Em que antárticas espumas
    Navega o navegador
    Em que brahmas, em que brumas

    Pedro Nava se afogou?

    Juro que estava comigo
    Há coisa de não faz muito
    Enchendo bem a caveira
    Ao seu eterno defunto.

    Ou não era Pedro Nava
    Quem me falava aqui junto
    Não era o Nava de fato
    Nem era o Nava defunto?...

    Se o tivesse aqui comigo
    Tudo se solucionava
    Diria ao garçom: Escanção!
    Uma pedra a Pedro Nava!

    Uma pedra a Pedro Nava
    Nessa pedra uma inscrição:
    "— deste que muito te amava
    teu amigo, teu irmão..."

    Mas oh, não! que ele não morra
    Sem escutar meu segredo
    Estou nas garras da Cachorra
    Vou ficar louco de medo

    Preciso muito falar-lhe
    Antes que chegue amanhã:
    Pedro Nava, meu amigo
    DESCEU O LEVIATÃ!


    Vinícius de Morais

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