Será que as palavras ficam presas no tempo?
Terão as palavras alguma coisa a ver com a moda, efémera e volátil?
Evocações do passado também poderão ser palavras que, outrora, marcaram tanto o nosso quotidiano como o som do chiar do baloiço, o pregão da “língua da sogra” na praia ou o cheiro do cozido à portuguesa ao domingo?...
Procurar e (re)contextualizar palavras, embalarmo-nos nelas, divagar sobre elas, são alguns dos objectivos deste projecto.
Por puro prazer!
segunda-feira, 22 de novembro de 2010
A «Combinação» continua a ser uma peça íntima...
"Não importa o quanto às vezes seja difícil, o quanto às vezes eu me atrapalhe, o quanto às vezes eu seja a densa nuvem que esconde o meu próprio sol, quantas vezes seja preciso recomeçar: Combinei comigo não desistir de mim."
Havia dentro das palavras multidões a correr em cada imagem praças cheias de versos e versos cheios de gente. Havia uma rua pela página acima e folhas e folhas pela rua. Ou talvez letras. Ou talvez rimas. Havia o teu rosto na cidade. Ou talvez a cidade no teu rosto. Havia naquele dia o que se via e não se via. E só se ouvia o que não se ouvia. Era uma surda obsessiva litania. Ou talvez poesia.
Muito linda, a citação.
ResponderEliminarJá quanto à combinação, acho é que passou a ser motivo de estranheza, não?
Vou deixar-lhe um poema do sósia daquele tipo que...
Naquele dia
Havia dentro das palavras
multidões a correr em cada imagem
praças cheias de versos e versos cheios de
gente. Havia uma rua pela página acima
e folhas e folhas pela rua. Ou talvez letras.
Ou talvez rimas. Havia o teu rosto
na cidade. Ou talvez a cidade no teu rosto.
Havia naquele dia o que
se via e não se via. E só se ouvia
o que não se
ouvia.
Era uma surda obsessiva
litania. Ou talvez
poesia.
Manuel Alegre