quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Reflectindo Portugal

tal como a vidraça, no dia do Centenário...

1 comentário:


  1. Meu pobre Portugal


    Meu pobre Portugal,
    Dóis-me no coração.
    Teu mal é o meu mal
    Por imaginação.

    Tão fraco, tão doente,
    E com a boa cor
    Que a tísica põe quente
    Na cara, o exterior.

    Meu pobre e magro povo
    A quem deram, às peças,
    Um fato em estado novo
    Para que o não pareças!

    Tens a cara lavada,
    Um fato de se ver
    Mas não te deram nada,
    Coitado, que comer.

    […]

    Fernando Pessoa

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