domingo, 30 de maio de 2010

Avaliação

O «salva-vidas» da minha praia era bom:

Morenaço (como convém), grisalho, mas sem barriga; "corpo sarado", como se diz lá do outro lado do mar.

E era competente: salvou-me a vida, só com o olhar que me deitou. A sério! Senti-me salva e viva...

7 comentários:


  1. Identidade


    Preciso ser um outro
    para ser eu mesmo

    Sou grão de rocha
    Sou o vento que a desgasta

    Sou pólen sem insecto

    Sou areia sustentando
    o sexo das árvores

    Existo onde me desconheço
    aguardando pelo meu passado
    ansiando a esperança do futuro

    No mundo que combato morro
    no mundo por que luto nasço


    Mia Couto

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  2. Pescado na net (aqui: http://serolmar.blogspot.com/2009/02/avaliacao-do-reino.html) e publicado pensando na Escrivaninha-prof e Mafaldinha...

    Avaliação do reino

    O rei decide avaliar
    Todos os súbditos habitantes
    Para, com isso, determinar
    Se eram cultos ou ignorantes.

    Manda, entretanto, fazer
    Um teste de avaliação
    Com múltiplas para escolher
    A resposta certa à questão.

    Os avaliadores desse reino,
    Já com perguntas pensadas,
    Tinham estudos, tinham treino,
    Em matérias variadas.

    Conheciam mnemónicas,
    Detergentes e sabões,
    As ligações holonómicas,
    Sistemas e equações.

    Em álgebra eram notáveis
    Como os casos da matemática
    E em semântica e gramática
    Eram deveras versáteis.

    Sabiam de geografia,
    De filosofia e de história.
    Dominavam geometria...
    Mas que excelente memória!

    Fizeram um exame cuidado
    Com lápis e esferográfica
    O qual acabou editado
    Numa maquina tipográfica.

    O teste seguiu na sacola,
    Com perguntas sem malícia.
    Foi entregue na escola
    Com escolta da polícia.

    Começaram a escrever
    Com grande convicção
    Pois podiam tempo não ter
    P'ra resposta à questão.

    O burro era analfabeto,
    O cão não sabia ler,
    O boi que era tão esperto
    Nem contas sabia fazer.

    A vaca falar não queria,
    Mugia como uma estouvada
    E a burra apenas sabia
    Como se faz marmelada.

    A cabra queixava-se ao anho
    Com ares de preocupada
    Que a sua cultura apurada
    Era dos tempos d'antanho.

    A galinha era sabedora
    Pois sabia como poucos,
    Era perita, era doutora
    A versar vida dos outros.

    O mocho é que brilhava,
    Sabia tudo de cor
    E o pardal se se enganava,
    Corrigia com corrector.

    A raposa que era folgada
    Chegava atrasada ao exame.
    Justifica que, na estrada,
    Se tinha dado um derrame.

    Depois de tão árdua prova,
    Saíam os resultados.
    Eram más notas de sobra
    No edital afixados.

    O rei muito aflito
    Com essa imensa burrice.
    Irado e num só grito,
    Manda chamar o arúspice.

    O caso por deslindar,
    Analisam com veemência
    Acabando por passar
    Certificados de inteligência.

    A estupidez que havia
    Fora banida pelo rei
    E aquele que nada sabia
    Era inteligente, por lei.

    Eliminada pelo sistema
    Com arte tão aprumada,
    A ignorância já não é problema
    No reino da bicharada.


    Sérgio O. Marques

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  3. Aposto que este último poderia ser integrado na Cartilha Paternal Valha-nos Deus Para Políticos...

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  4. Cartilha Paternal Valha-nos Deus Para Políticos? Ficará assim!

    Embora o paternal talvez seja demasiado bom; porque não experimentar o padrastal?

    (Declaração de interesses: eu próprio sou padrasto e nunca o escondi atrás de palavras outras... Acho que ser padrasto não é mais do que não ter tido a felicidade de gerar alguém que se ama de igual modo.)

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  5. Oh, Mestre! É padrasto? E como não comentou o meu 'post' do Dia do Pai? Era dedicado ao meu padrasto, pessoa que muito estimei e que teve muita importância na minha educação. Também está lá explicado o que eu acho da palavra...

    Neste caso eu deixaria mesmo paternal, se pensarmos que os nossos monarcas de antanho se denominavam «pais do povo».

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  6. Eu recordo esse texto do Dia do Pai, Miss Escrivaninha.

    Não comentei porque era um texto demasiado intimista, não ficaria bem um comentário alheio.

    Mas adorei-o, achei-o de uma ternura... enternecedora.
    (Inclusive aquele último parágrafo que acabou desaparecendo...)

    Revi naquele texto um que me foi dirigido e que releio muitas vezes – porque compensa tudo o que dei e até o que nunca fui capaz de dar.

    Acho que o seu padrasto teria sentido o mesmo ao ler o que a Escrivaninha escreveu.

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