sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Auto-Defesa

Ainda vais engolir tudo o que disseste!

Ainda vais ter saudades minhas!

Ainda te vais arrepender!

Tu vais ver!

Deixa estar!...

Escreve o que te digo!
(esta última será a auto-defesa preferida das professoras, que, depois do «ditado», adorariam agarrar numa caneta vermelha e, descobrindo um ou dois erros, encontrar uma base mais sólida para o fim da relação: Pois se o gajo nem escrever sabia…)

1 comentário:


  1. Ódio?


    Ódio por ele? Não... Se o amei tanto,
    Se tanto bem lhe quis no meu passado,
    Se o encontrei depois de o ter sonhado,
    Se à vida assim roubei todo o encanto...

    Que importa se mentiu? E se hoje o pranto
    Turva o meu triste olhar, marmorizado,
    Olhar de monja, trágico, gelado
    Como um soturno e enorme Campo Santo!

    Ah! nunca mais amá-lo é já bastante!
    Quero senti-lo d’outra, bem distante,
    Como se fora meu, calma e serena!

    Ódio seria em mim saudade infinda,
    Mágoa de o ter perdido, amor ainda.
    Ódio por ele? Não... não vale a pena...


    Florbela Espanca

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