quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Novas Competências

A minha incapacidade para me concentrar a ouvir debates políticos é uma coisa que vai muito para além da minha vontade consciente.
Porque eu tento...mas não consigo.
Como, frequentemente, quando tento ver debates políticos à noite adormeço, tentei aproveitar agora, o noticiário da hora de almoço, para tentar dominar esta vontade de me alhear e para ouvir de facto o que eles dizem.
Acho que era um extracto de um debate que aconteceu ontem, entre aqueles comentadores que falam dos políticos, mas são eles próprios também políticos.
E, de repente, tive uma revelação! Eu não sabia quem é que o Pacheco Pereira me fazia lembrar...e foi hoje, enquanto o meu espírito se recusava a ouvir o que eles diziam que eu vi, vi mesmo: Pacheco Pereira é igual a um kuala. Tal e qual!
Não é uma crítica (os kualas são tão simpáticos, nunca diriam o que o Pacheco Pereira diz) é uma constatação.
E, sobretudo, é a constatação de que o meu espírito não me obedece, quando sabe que tem razão; e encontra alternativas.
Se tinha que olhar para eles concentrou-se (ou concentrei-me, porque afinal estou a falar de mim, não é?) em aspectos mais apelativos, igualmente inúteis, mas apelativos - encontrar semelhanças entre os políticos e o reino animal. Esperemos que não ofenda nenhum bicho!

1 comentário:

  1. Políticos lembram-se sempre o Sérgio e esta canção.

    Cuidado com as imitações

    Estimado ouvinte, já que agora estou consigo
    Peço apenas dois minutos de atenção
    É pra contar a história de um amigo
    Casimiro Baltazar da Conceição

    O Casimiro, talvez você não conheça
    a aldeia donde ele vinha nem vem no mapa
    mas lá no burgo, por incrível que pareça
    era, mais famoso que no Vaticano o Papa

    O Casimiro era assim como um vidente
    tinha um olho mesmo no meio da testa
    isto pra lá dos outros dois é evidente
    por isso façamos que ia dormir a sesta

    Ficava de olho aberto
    via as coisas de perto
    que é uma maneira de melhor pensar
    via o que estava mal
    e como é natural
    tentava sempre não se deixar enganar
    (e dizia ele com os seus botões:)

    Cuidado, Casimiro
    cuidado com as imitações
    Cuidado, minha gente
    Cuidado justamente com as imitações

    Lá na aldeia havia um homem que mandava
    toda a gente, um por um, por-se na bicha
    e votar nele e se votassem lá lhes dava
    um bacalhau, um pão-de-ló, uma salsicha

    E prometeu que construía um hospital
    Uma escola e prédios de habitação
    e uma capela maior que uma catedral
    pelo menos a julgar pela descrição

    Mas... O Casimiro que era fino do ouvido
    tinha as orelhas equipadas com radar
    ouvia o tipo muito sério e comedido
    mas lá por dentro com o rabinho a dar, a dar

    E... punha o ouvido atento
    via as coisas por dentro
    que é uma maneira de melhor pensar
    via o que estava mal
    e como é natural
    tentava sempre não se deixar enganar
    (e dizia ele com os seus botões:)

    Cuidado, Casimiro
    cuidado com as imitações
    Cuidado, minha gente
    Cuidado justamente com as imitações

    Ora o tal tipo que morava lá na aldeia
    estava doido, já se vê, com o Casimiro
    de cada vez que sorria à plateia
    lá se lhe viam os dentes de vampiro

    De forma que pra comprar o Casimiro
    em vez do insulto, do boicote, da ameaça
    disse-lhe: Sabe que no fundo o admiro
    Vou erguer-lhe uma estátua aqui na praça

    Mas... O Casimiro que era tudo menos burro
    tinha um nariz que parecia um elefante
    sentiu logo que aquilo cheirava a esturro
    ser honesto não é só ser bem falante

    A moral deste conto
    vou resumi-la e pronto
    cada qual faz o que melhor pensar
    Não é preciso ser
    Casimiro pra ter
    sempre cuidado pra não se deixar levar.


    Sérgio Godinho

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