sábado, 1 de agosto de 2009

A Uniformização demonstra a Escassez de Recursos?

"Quando o único instrumento que se tem é um martelo, todos os problemas que aparecem são tratados como pregos."

Mark Twain



Tradução para meios onde os bichos não são carpinteiros:

Quem dispõe do poder como único argumento, trata todos os outros como subalternos.

3 comentários:


  1. Sátira


    Disse então aos tiranos:
    Que pequena e mesquinha humanidade
    A vossa!
    Horas, dias e anos
    De crueldade,
    Para que ninguém possa
    Gritar que passais nus pela cidade!


    Miguel Torga

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  2. O Rei vai Nu

    "Não sei de imagem que o amor não persiga
    Não sei de ti se não fores minha amiga
    Faz o que queres, que se queres é preciso
    Faz o melhor, fá-lo com a loucura e com juízo, faz o que é preciso
    Viva quem muda sem ter medo do escuro
    o desconhecido é o irmão do futuro
    Viva quem ama com coração aos saltos
    E mesmo assim vence os seus altos e baixos, e altos e seus sobressaltos
    E viva o dia em que já não precisas de reis nem gurus nem frases chave nem divisas
    O dia em que já não precisas de reis nem papás nem profetas nem profetizas
    Hei, hei, que é do rei? o rei foi-se, o rei vai nú
    Hei, hei, viva eu, viva tu
    Hei, hei, que é do rei? o rei foi-se, o rei vai nú
    Hei, hei, viva eu, viva tu"

    Sérgio Godinho

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  3. Poema do fecho éclair


    Filipe II tinha um colar de oiro,
    tinha um colar de oiro com pedras rubis.
    Cingia a cintura com cinto de coiro,
    com fivela de oiro,
    olho de perdiz

    Comia num prato
    de prata lavrada
    girafa trufada,
    rissóis de serpente.
    O copo era um gomo
    que em flor desabrocha,
    de cristal de rocha
    do mais transparente.

    Andava nas salas
    forradas de Arrás,
    com panos por cima,
    pela frente e por trás.
    Tapetes flamengos,
    combates de galos,
    alões e podengos,
    falcões e cavalos.

    Dormia na cama
    de prata maciça
    com dossel de lhama
    de franja roliça.
    Na mesa do canto
    vermelho damasco,
    a tíbia de um santo
    guardada num frasco.

    Foi dono da Terra,
    foi senhor do Mundo,
    nada lhe faltava,
    Filipe Segundo.

    Tinha oiro e prata,
    pedras nunca vistas,
    safira, topázios,
    rubis, ametistas.
    Tinha tudo, tudo,
    sem peso nem conta,
    bragas de veludo,
    peliças de lontra.
    Um homem tão grande
    tem tudo o que quer.

    O que ele não tinha
    era um fecho éclair.


    António Gedeão

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