domingo, 30 de agosto de 2009

E o conjunto António Mafra?

"Eram praí sete e picos, oito e coisa, nove e tal."

1 comentário:

  1. Quem me dera saber pintar o virar da chula, mas nem com lições lá iria...
    O meu pássaro ficaria eternamente mudo!

    O pintor, o pássaro e a gaiola

    Primeiro pinte uma gaiola com a porta aberta
    Depois pinte
    algo gracioso,
    algo simples,
    algo bonito
    algo útil
    para o pássaro.
    Então encoste a tela a uma árvore
    num jardim
    num bosque
    ou numa floresta.
    Esconda-se atrás da árvore
    sem falar
    sem se mover...
    Às vezes o pássaro aparece logo
    mas ele pode demorar muitos anos
    antes de se decidir.
    Não desanime.
    Espere.
    Espere durante anos se necessário.
    A rapidez ou a lentidão do pássaro
    não influi no bom resultado do quadro.
    Quando o pássaro aparecer
    se ele aparecer
    observe no mais profundo silêncio
    até o pássaro entrar na gaiola.
    E quando ele entrar
    delicadamente feche a porta com o pincel.
    Então
    apague uma a uma todas as grades
    tomando cuidado para não tocar
    na plumagem do pássaro.
    Em seguida pinte a árvore
    escolhendo o mais bonito dos seus galhos
    para o pássaro.
    Pinte também a folhagem verde
    e o frescor do vento
    o dourado do sol
    e a algazarra das criaturas na relva
    sob o calor do verão.
    E então espere até que o pássaro decida cantar.
    Se o pássaro não cantar
    é um mau sinal,
    um sinal de que a pintura está ruim.
    Mas se ele cantar é um bom sinal,
    um sinal de que você pode assinar.
    Então, com muita delicadeza,
    você arranca uma das penas do pássaro
    e escreve o seu nome num canto do quadro.


    Jacques Prévert

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