quinta-feira, 16 de julho de 2009

Há frases que deviam ser gritadas, para ver se alguém ouve

"A televisão consegue mesmo transformar em vedetas nacionais pessoas que nem no seu bairro era conhecidas. Entretanto, de cada vez que um velho morre numa aldeia de província é como se ardesse um biblioteca, pois leva com ele centenas de histórias ou mesmo de versos que ninguém passou ao papel, muito menos ele, por ser analfabeto."

José Jorge Letria, A Globalização Explicada aos Jovens...e aos Outros, p. 51

2 comentários:


  1. Poema da gare de Astapovo


    O velho Leon Tolstoi fugiu de casa aos oitenta anos
    E foi morrer na gare de Astapovo!
    Com certeza sentou-se a um velho banco,
    Um desses velhos bancos lustrosos pelo uso
    Que existem em todas as estaçõezinhas pobres do mundo
    Contra uma parede nua...
    Sentou-se... e sorriu amargamente
    Pensando que
    Em toda a sua vida
    Apenas restava de seu a Glória,
    Esse irrisório chocalho cheio de guizos e fitinhas
    Coloridas
    Nas mãos esclerosadas de um caduco!
    E entao a Morte,
    Ao vê-lo tão sozinho àquela hora
    Na estação deserta,
    Julgou que ele estivesse ali à sua espera,
    Quando apenas sentara para descansar um pouco!
    A morte chegou na sua antiga locomotiva
    (Ela sempre chega pontualmente na hora incerta...)
    Mas talvez não pensou em nada disso, o grande Velho,
    E quem sabe se até não morreu feliz: ele fugiu...
    Ele fugiu de casa...
    Ele fugiu de casa aos oitenta anos de idade...
    Não são todos que realizam os velhos sonhos da infância!


    Mário Quintana

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  2. O Bom Professor é aquele que cria no aluno a necessidade de aprender!
    E lá fui eu, mesmo com pouco tempo, servindo-me dos apetrechos de "fast-learning" da Internet, apressar-me a aprender um pouquinho sobre Mário Quintana (para mais tarde recordar e ampliar).
    Para provar a veracidade da minha afirmação apresento dois "trabalhos de casa": um aqui e outro no próximo 'post'.
    "Quantas vezes a gente em busca da ventura
    Procede tal qual o avozinho infeliz:
    Em vão, por toda a parte os óculos procura
    Tendo-os na ponta do nariz!"
    Mário Quintana

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