De vez em quando compro a Revista Ler e também o JL. Qualquer uma destas publicações tem o condão de me desorientar porque encontro sempre excelentes (muitas) sugestões de leitura e não tenho tempo, nunca terei tempo para ler tudo o que devia de ler.
Fico assim informada, mas com uma sensação de frustração e mesmo sentimentos de culpa quando estou a fazer qualquer outra coisa menos produtiva podendo estar a consumir um dos títulos que faltam na minha cultura.
E aqui está mais uma referência que eu encontrei e que acho que tenho de ler. E esta faz-me sentir acompanhada!
"Não é tanto um trabalho sobre informação, como sobre excesso de informação: a circunstância que deu origem a uma condição que achamos ser tipicamente moderna (...). Um dos prazeres mesquinhos e tangenciais que Gleick fornece é um repositório de provas que o sentimento é provavelmente tão antigo quanto o Homero: citações de filósofos medievais a queixarem-se de que há demasiados livros para ler, de filósofos gregos a queixarem-se de que há demasiados outros filósofos para ouvir; é legítimo concluir que um qualquer cético anónimo em Lascaux, nos primórdios do mundo, tenha protestado quanto à quantidade de rabiscos de cavalos que ali se ia acumulando." Rogério Casanova sobre o livro de James Gleick, Informação - Uma História, Uma Teoria, Um Dilúvio, editado pela Temas e Debates.
Este eu tenho de ler!
Nota: Lascaux não se situa no princípio do mundo, pois este é muito anterior à Humanidade, a menos que ele se refira ao mundo da informação, que só existe desde que nós existimos para a processar...e pelos vistos sempre refilando com o excesso da tarefa.
Será que as palavras ficam presas no tempo? Terão as palavras alguma coisa a ver com a moda, efémera e volátil? Evocações do passado também poderão ser palavras que, outrora, marcaram tanto o nosso quotidiano como o som do chiar do baloiço, o pregão da “língua da sogra” na praia ou o cheiro do cozido à portuguesa ao domingo?... Procurar e (re)contextualizar palavras, embalarmo-nos nelas, divagar sobre elas, são alguns dos objectivos deste projecto. Por puro prazer!
sexta-feira, 6 de abril de 2012
quinta-feira, 5 de abril de 2012
Chove, no país do Verão
As pessoas passeiam desconsoladas debaixo dos parapeitos das varandas. Estão de ténis-botas, alguns de botas altas e muitos de cachecol.
No ano mais seco dos últimos 75 anos quebrou-se o jejum pluvial nesta semana santa, pródiga de paixão e condenatória para os que, ignorando os tempos de contenção, pensavam até exibir-se ao sol.
As paredes caiadas sustentam a esperança de sol contra o céu de chumbo.
Aqui, até o tempo de chuva é mais claro. Pois claro!
No ano mais seco dos últimos 75 anos quebrou-se o jejum pluvial nesta semana santa, pródiga de paixão e condenatória para os que, ignorando os tempos de contenção, pensavam até exibir-se ao sol.
As paredes caiadas sustentam a esperança de sol contra o céu de chumbo.
Aqui, até o tempo de chuva é mais claro. Pois claro!
Etiquetas:
Impressões de Viagem,
Palavreado,
Tradições
quarta-feira, 4 de abril de 2012
segunda-feira, 2 de abril de 2012
Dizia a avó no café
"- O médico viu os valores e disse à minha filha que o menino estava quase abadesso; e ela disse: que me importa que ele esteja quase abadesso? Tem de comer bem, não come porcarias...Hoje também acham todos abadessos."
(recolhido hoje de manhã)
(recolhido hoje de manhã)
Cidadania Portuguesa
"Não, professora, não podemos desencadear o processo sem si. Porque tem de passar um cheque de um euro e vinte cinco cêntimos ao Diretor do ADSE."
"Mas eu não tenho cheques. E não vou comprar por causa de 1 € e 25."
"Mas tem de ser assim, para uma segunda via..."
"Está bem, obrigada. Eu vou tentar contactar diretamente a ADSE."
"Pois..."
Afinal ligaram a seguir, a dizer que também poderia ser por vale postal. No valor de 1 € e 25.
Ao menos no cartão do cidadão são 15 € e no IMTT 30 €.
Claro que não gosto de pagar muito, mas não é ridículo que tenha de pagar através de um documento que deve custar mais que isto uma despesa de 1€ e 25? Não seria lógico que eu pagasse na secretaria da escola?
"Tem de ser um documento pessoal."
Assim vai este país.
No IMTT: "Tenho o comprovativo de pedido do cartão do cidadão."
"Tem de ter o nº de contribuinte".
"Está contido neste..."
"Mas não está aí escrito."
"Eu sei ler. Sei que não está aqui escrito. Mas eu sei-o de cor. Não pode verificar no computador?"
"Tem de ter um comprovativo das finanças."
"Mas a este CC só pode corresponder um NIF...E tenho o passaporte..."
"Tem de trazer um papel das finanças."
"E onde ficam? E posso manter a senha de atendimento?"
"Se chegar depois das 16 já só atendemos quem cá está dentro."
"Mas isto não tem jeito nenhum! (e muita outra refilice) O senhor desculpe, mas é quem está à minha frente..."
"Por mim...está a pedir-me desculpa? Eu ouço muito pior. E, não é nada comigo."
Afinal tudo se resolveu, graças a um amigo que liderou a questão, ouvindo a refilice, conduziu o carro por entre ruas e ruelas de Leiria, a tempo de voltar ao IMTT com «um print» (sic) de um registo das Finanças.
E com sítios muito melhores que ele teria para passar a primeira segunda feira sem aulas!
Graças a Deus no caminho de regresso havia uma pastelaria que tinha umas bolas de Berlim que fazem bem à maior parte dos desgostos e das irritações.
Páginas da vida de uma cidadã portuguesa.
"Mas eu não tenho cheques. E não vou comprar por causa de 1 € e 25."
"Mas tem de ser assim, para uma segunda via..."
"Está bem, obrigada. Eu vou tentar contactar diretamente a ADSE."
"Pois..."
Afinal ligaram a seguir, a dizer que também poderia ser por vale postal. No valor de 1 € e 25.
Ao menos no cartão do cidadão são 15 € e no IMTT 30 €.
Claro que não gosto de pagar muito, mas não é ridículo que tenha de pagar através de um documento que deve custar mais que isto uma despesa de 1€ e 25? Não seria lógico que eu pagasse na secretaria da escola?
"Tem de ser um documento pessoal."
Assim vai este país.
No IMTT: "Tenho o comprovativo de pedido do cartão do cidadão."
"Tem de ter o nº de contribuinte".
"Está contido neste..."
"Mas não está aí escrito."
"Eu sei ler. Sei que não está aqui escrito. Mas eu sei-o de cor. Não pode verificar no computador?"
"Tem de ter um comprovativo das finanças."
"Mas a este CC só pode corresponder um NIF...E tenho o passaporte..."
"Tem de trazer um papel das finanças."
"E onde ficam? E posso manter a senha de atendimento?"
"Se chegar depois das 16 já só atendemos quem cá está dentro."
"Mas isto não tem jeito nenhum! (e muita outra refilice) O senhor desculpe, mas é quem está à minha frente..."
"Por mim...está a pedir-me desculpa? Eu ouço muito pior. E, não é nada comigo."
Afinal tudo se resolveu, graças a um amigo que liderou a questão, ouvindo a refilice, conduziu o carro por entre ruas e ruelas de Leiria, a tempo de voltar ao IMTT com «um print» (sic) de um registo das Finanças.
E com sítios muito melhores que ele teria para passar a primeira segunda feira sem aulas!
Graças a Deus no caminho de regresso havia uma pastelaria que tinha umas bolas de Berlim que fazem bem à maior parte dos desgostos e das irritações.
Páginas da vida de uma cidadã portuguesa.
Etiquetas:
Palavras Doridas,
Palavras vãs,
Palavreado,
Partículas de Felicidade,
Tradições
Insetizada
E quando de formigas passamos a baratas tontas, entre os diversos organismos que passam novos documentos, continuamos a sentir-nos insetos, minúsculos, pisáveis, pisados.
Etiquetas:
Palavras Doridas,
Palavras vãs,
Palavreado
domingo, 1 de abril de 2012
Sem título
Quando eu era pequena, numa infância sem entreténs eletrónicos, durante o Verão passava muito tempo a observar o carreiro de formigas que se formava no degrau de pedra castanha que separava a cozinha da pequena marquise que, em casa da minha avó, era o acesso à casa de banho e ao quintal.
Entediada com as longas férias divertia-me a molhar com um pouco de água o carreiro das formiguinhas que, durante uns segundos ficavam desorientadas até que a água secava e elas retomavam o seu curso normal, umas atrás das outras, num plano delineado com mestria e certamente pouco contestado. Era um bocadinho cruel...mas não muito e fascinava-me a capacidade que os pequenos bichinhos tinham de recuperar o normal curso da sua vida.
Tenho pensado muito nisto, crendo que, lá por cima, alguém, talvez entediado, resolveu molhar com água o meu carreiro e ficar a ver-me desorientada, esperando, sem grande crueldade, que eu saiba recuperar o meu percurso normal.
Eu tinha um esquema muito bem planeado para estes tempos de suspensão da atividade letiva, de pausa aproveitada para outras tarefas que aguardam disponibilidade: tudo encaixava perfeitamente, numa sequência lógica, apertadinha que, se cumprida, me deixaria muito feliz e realizada.
Estava tudo a correr bem. A viagem de expresso e de comboio foi muito bem aproveitada a construir o powerpoint adequado à comunicação de sexta-feira. De tarde já tinha sido feito o necessário upgrade do visual (que falar em público merece uma atenção especial a certos pormenores) e o tempo estava à conta para chegar à casa citadina de familiares, comer uma sopinha quente e beneficiar de equipamento alheio para compor os slides já decididos.
A satisfação devia transparecer-me do olhar, talvez a confiança, ou a credulidade de quem segura simpaticamente a porta para o rapaz que no meu encalce faz menção de entrar no prédio.
A forma como ilustrou o gesto de pegar na minha pasta preta com a frase "Se gritas, morres" foi de facto inesperada.
Ninguém pode dizer que sabe como vai enfrentar uma coisa destas! Eu ainda estou surpreendida comigo. Fiz tudo para segurar a pasta: o meu trabalho, terminado há pouco, necessário para o cumprimento do compromisso do dia seguinte, que era, afinal, a razão da minha presença ali, àquela hora, no dia em que a rua estava pouco povoada em detrimento da vasta assistência aos écrans do jogo do Sporting.
Respondendo-lhe no mesmo tom "por tu", troquei a pasta pela mochila: Eu dou-te o dinheiro, leva o dinheiro.
Achava eu que ele esperaria que eu retirasse a carteira da mochila.
Saiu com tudo o que trazemos na mala diária (e é tanta coisa, meu Deus!) deixando-me então consciente da minha impotência e do meu desespero, da injustiça de toda a situação.
E então gritei, gritei a plenos pulmões, ignorando o aviso - e ele tinha sido bem explícito e repetido mais que uma vez: Se gritas, morres! - gritei muitas vezes a palavra 'Socorro'. E eu nunca tinha acreditado que de facto alguém se lembrasse de gritar Socorro!
Ele voltou para trás, furioso, agressivo, ele tinha sido bem explícito e eu estava a desobedecer-lhe (Gosto de pensar que está a reequacionar a carreira escolhida, por constatar a falta de autoridade ou, num cenário mais atroz, que decidiu silenciar de facto os próximos visados, e aí não gosto tanto, claro: tudo isto é assustador). Só então me apercebi do perigo, da estupidez, dos avisos, que no Brasil são ainda mais fortes do que aqui: Nunca resistir ao ladrão!
Fechei-lhe a porta na cara.
Foi o meu momento de glória: Fechei-lhe a porta na cara e continuei a gritar, mais por vingança do que por acreditar na eficácia.
O único efeito foi assustar toda a gente do prédio que, obviamente, não podia fazer nada.
Pedi desculpa, muita desculpa, desci a escada, já escoltada pela família.
------------------------------------------
A sexta feira decorreu normal. Fiz tudo o que tinha de fazer, mas tudo o resto se desmoronou: as tarefas, a partida para longe... A facilidade com que nos movimentamos na vida depende do conteúdo da mala diária.
Só ontem, já em casa, comecei a recuperar o equilíbrio, a aperceber-me do perigo, das implicações de tudo isto (e esperemos que não haja outras, que os meus documentos andam agora por aí).
As lágrimas já tentaram lavar o desespero, o desamparo.
Voltam à cabeça imagens esquecidas. Afinal, não estavam esquecidas! Como daquela vez em que te contei ao telefone que quase tinha ficado debaixo de um camião com o meu carro, numa manobra estúpida e errada. Reencontrámo-nos dois dias depois num MacDonald's. Abraçaste-me muito e disseste que eu tinha de ter cuidado, porque não me querias perder.
Fez-me falta esse abraço (um abraço desses) até me lembrar que depois me perdeste por iniciativa própria e nunca deste parte aos perdidos e achados da polícia.
Ter-me-ia feito falta um abraço desses e uma falsa promessa? Não. Basta-me saber que essas coisas existem fora dos filmes, que os filmes existem na vida real, que se grita socorro, que se sua medo, que se chora desespero, que se respira injustiça...que se recupera o carreiro quando a água das lágrimas seca e se percebe que o sol nunca deixou de brilhar.
A estatística do jornal deu-me o consolo de que ser assaltada não é uma falta de competência, não é uma marca de vergonha: Os crimes por esticão aumentaram não sei quantos por cento em Portugal...Afinal, pode fazer-se o quê? Nada. Os herois estão todos mortos, os ladrões sempre existiram e, para isso, os roubados também.
A vida seguirá normalmente depois desta experiência.
Os planos continuarão a ser feitos, mas com um sentido mais relativo: alguém pode, de maneira inesperada, deitar água no nosso carreiro e ficar a ver-nos - desejavelmente de maneira não muito cruel - recuperar o rumo.
E, talvez, aprender com isso.
Entediada com as longas férias divertia-me a molhar com um pouco de água o carreiro das formiguinhas que, durante uns segundos ficavam desorientadas até que a água secava e elas retomavam o seu curso normal, umas atrás das outras, num plano delineado com mestria e certamente pouco contestado. Era um bocadinho cruel...mas não muito e fascinava-me a capacidade que os pequenos bichinhos tinham de recuperar o normal curso da sua vida.
Tenho pensado muito nisto, crendo que, lá por cima, alguém, talvez entediado, resolveu molhar com água o meu carreiro e ficar a ver-me desorientada, esperando, sem grande crueldade, que eu saiba recuperar o meu percurso normal.
Eu tinha um esquema muito bem planeado para estes tempos de suspensão da atividade letiva, de pausa aproveitada para outras tarefas que aguardam disponibilidade: tudo encaixava perfeitamente, numa sequência lógica, apertadinha que, se cumprida, me deixaria muito feliz e realizada.
Estava tudo a correr bem. A viagem de expresso e de comboio foi muito bem aproveitada a construir o powerpoint adequado à comunicação de sexta-feira. De tarde já tinha sido feito o necessário upgrade do visual (que falar em público merece uma atenção especial a certos pormenores) e o tempo estava à conta para chegar à casa citadina de familiares, comer uma sopinha quente e beneficiar de equipamento alheio para compor os slides já decididos.
A satisfação devia transparecer-me do olhar, talvez a confiança, ou a credulidade de quem segura simpaticamente a porta para o rapaz que no meu encalce faz menção de entrar no prédio.
A forma como ilustrou o gesto de pegar na minha pasta preta com a frase "Se gritas, morres" foi de facto inesperada.
Ninguém pode dizer que sabe como vai enfrentar uma coisa destas! Eu ainda estou surpreendida comigo. Fiz tudo para segurar a pasta: o meu trabalho, terminado há pouco, necessário para o cumprimento do compromisso do dia seguinte, que era, afinal, a razão da minha presença ali, àquela hora, no dia em que a rua estava pouco povoada em detrimento da vasta assistência aos écrans do jogo do Sporting.
Respondendo-lhe no mesmo tom "por tu", troquei a pasta pela mochila: Eu dou-te o dinheiro, leva o dinheiro.
Achava eu que ele esperaria que eu retirasse a carteira da mochila.
Saiu com tudo o que trazemos na mala diária (e é tanta coisa, meu Deus!) deixando-me então consciente da minha impotência e do meu desespero, da injustiça de toda a situação.
E então gritei, gritei a plenos pulmões, ignorando o aviso - e ele tinha sido bem explícito e repetido mais que uma vez: Se gritas, morres! - gritei muitas vezes a palavra 'Socorro'. E eu nunca tinha acreditado que de facto alguém se lembrasse de gritar Socorro!
Ele voltou para trás, furioso, agressivo, ele tinha sido bem explícito e eu estava a desobedecer-lhe (Gosto de pensar que está a reequacionar a carreira escolhida, por constatar a falta de autoridade ou, num cenário mais atroz, que decidiu silenciar de facto os próximos visados, e aí não gosto tanto, claro: tudo isto é assustador). Só então me apercebi do perigo, da estupidez, dos avisos, que no Brasil são ainda mais fortes do que aqui: Nunca resistir ao ladrão!
Fechei-lhe a porta na cara.
Foi o meu momento de glória: Fechei-lhe a porta na cara e continuei a gritar, mais por vingança do que por acreditar na eficácia.
O único efeito foi assustar toda a gente do prédio que, obviamente, não podia fazer nada.
Pedi desculpa, muita desculpa, desci a escada, já escoltada pela família.
------------------------------------------
A sexta feira decorreu normal. Fiz tudo o que tinha de fazer, mas tudo o resto se desmoronou: as tarefas, a partida para longe... A facilidade com que nos movimentamos na vida depende do conteúdo da mala diária.
Só ontem, já em casa, comecei a recuperar o equilíbrio, a aperceber-me do perigo, das implicações de tudo isto (e esperemos que não haja outras, que os meus documentos andam agora por aí).
As lágrimas já tentaram lavar o desespero, o desamparo.
Voltam à cabeça imagens esquecidas. Afinal, não estavam esquecidas! Como daquela vez em que te contei ao telefone que quase tinha ficado debaixo de um camião com o meu carro, numa manobra estúpida e errada. Reencontrámo-nos dois dias depois num MacDonald's. Abraçaste-me muito e disseste que eu tinha de ter cuidado, porque não me querias perder.
Fez-me falta esse abraço (um abraço desses) até me lembrar que depois me perdeste por iniciativa própria e nunca deste parte aos perdidos e achados da polícia.
Ter-me-ia feito falta um abraço desses e uma falsa promessa? Não. Basta-me saber que essas coisas existem fora dos filmes, que os filmes existem na vida real, que se grita socorro, que se sua medo, que se chora desespero, que se respira injustiça...que se recupera o carreiro quando a água das lágrimas seca e se percebe que o sol nunca deixou de brilhar.
A estatística do jornal deu-me o consolo de que ser assaltada não é uma falta de competência, não é uma marca de vergonha: Os crimes por esticão aumentaram não sei quantos por cento em Portugal...Afinal, pode fazer-se o quê? Nada. Os herois estão todos mortos, os ladrões sempre existiram e, para isso, os roubados também.
A vida seguirá normalmente depois desta experiência.
Os planos continuarão a ser feitos, mas com um sentido mais relativo: alguém pode, de maneira inesperada, deitar água no nosso carreiro e ficar a ver-nos - desejavelmente de maneira não muito cruel - recuperar o rumo.
E, talvez, aprender com isso.
Etiquetas:
Palavras Doridas,
Palavras vãs,
Tradições
Subscrever:
Mensagens (Atom)